meandros

sexta-feira, março 31, 2006

oleandros

A beleza tóxica do oleandro.

imagine


Imagine um desenho animado realizado pela Disney sobre doenças sexualmente transmissíveis.

Imagine se ele fosse criado na década de 70.

Agora compare sua imaginação com a animação que existiu de verdade: VD Attack Plan.


O desenho é de 1973 e, de forma bastante criativa, conta o esquema tático do exército de vírus das Doenças Venéreas, como eram conhecidas na época. Bons tempos em que ninguém temia a AIDS.

Garanto que é melhor do que muita produção atual da Disney sem a Pixar.

quinta-feira, março 30, 2006

astronautas*



* A BRASA (Brasileiros Astronautas) alerta que Marcos Pontes na verdade é um cosmonauta pois decolou do Casaquistão.

meia quatro-queijos meia frango com catupiry com borda recheada

Conforme citado alguns posts atrás, minha trilha sonora para a dancinha da Deputada Federal Angela Guadagni foi:

♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫

Se ela dança / Eu danço / Se ela dança / Eu danço

♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫

Não fui o único a pensar nisto. Dê uma olhada no vídeo chamado de O Funk da Impunidade.

Agradecido pela colaboração do Thiago.

lembrete


quarta-feira, março 29, 2006

atenção... gravando!


A tempo, hoje é aniversário de Curitiba. 313 anos após sua fundação oficial. (Ignorando, é claro, as tribos indígenas que já habitavam a região do Bairro Alto há muito mais tempo.)

Sempre morei aqui e amo esta cidade. Agora, não posso negar que muito do que existe aqui é de mentira. A Curitiba pós-Lerner (que dizem ser muito diferente da Curitiba do Dalton Trevisan - eu não sei, conheci primeiro o Lerner) tem como um de seus alicerces a propaganda.

Como sede de evento internacional da ONU, teve ruas repintadas, placas sinalizadoras em dois idiomas, barba, cabelo e bigode bem aparados. Ficou bonito.

Mas o quanto isto atrai novos moradores iludidos com apenas uma falsa imagem? Não sou contra novos moradores. Sou contra desilusões. O trânsito, veja só como exemplo, do qual faz pouco tempo podíamos nos gabar está se equiparando ao trânsito de, ught!, São Paulo em determinados horários e locais...

Sendo assim, só me resta um último clamor:
Salve a Curitiba de verdade, seja ela qual for!

o espírito do blog especial aniversário de Curitiba



Meandro do lago do parque São Lourenço.

terça-feira, março 28, 2006

a nova cara do blog



Agradeço ao Pitu o auxílio!

segunda-feira, março 27, 2006

el tiempo passa


Você conhece a família argentina dos Golberg? Já é famosa na internet há algum tempo, mas sempre é bom divulgar o que vale a pena.


Desde 1976, no dia 17 de junho todos tiram uma foto 3X4. É, no mínimo, curioso perceber a evolução de nossos hermanos.

meia quatro-queijos meia frango com catupiry

Todo mundo está comentando a dancinha da Deputada Federal Angela Guadagnin (PT-SP).


Ela até já pediu desculpas:

"Minha atitude foi espontânea de alegria pela absolvição de um companheiro de partido e um amigo. Em nenhum momento tive a intenção de debochar ou agredir a sensibilidade de ninguém. Se algum cidadão se sentiu atingido, peço desculpas."

Sem perdão, nesta história, também estão sugerindo várias músicas para acompanharem esta cena inefável. Não vou deixar meu voto secreto. Voto como melhor música este ligh-funk que tem tocado por aí:

♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫

Ela dança / Eu danço / Ela dança / Eu danço

♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫ ♪ ♫

Entendeu o trocadalho do carrilho?!

domingo, março 26, 2006

o espírito do blog

segredinhos


Tira do Bennet.



Passava em frente a um chaveiro quando viu uma placa:
"Trocam-se segredos"


Parou abruptamente,entrou na loja, olhando para os lados e cochichou para o balconista:
- Eu sou gay, e você?!...

sábado, março 25, 2006

faça você mesmo


Clique na imagem abaixo e descubra como fazer um avião que voa sozinho!
Se tiver dificuldades peça a ajuda de um adulto.




oleandros

distraídos venceremos


Cartum de Pavel Costantin.

sexta-feira, março 24, 2006

resumindo,

Extraído do blog do Solda:

Perguntou o menininho:

— Paiê, o que é síntese?


Respondeu o pai:

— Síntese é a maneira de nos referirmos a um mesmo assunto, tema, fato ou matéria, de modo diferente do já conhecido ou enunciado, sob qualquer aspecto de comparação, seja ele de conteúdo ou de forma, eliminando-se informações, dados, detalhes, características etc, cujo valor ou importância permitam a omissão total e abrangente na nova descrição, sem que isso impeça o reconhecimento completo da referência que motivou esses cortes necessários, daí obtendo-se uma frase ou pequeno bloco de texto que, por sua especificidade deverá garantir a mesma interpretação outrora alcançada quando o tema primitivo apresentava-se por inteiro para exame, análise ou, simplesmente, leitura ou audição, isto é, por reconhecível semelhança em sua essência, dará a qualquer pessoa de mediana inteligência a oportunidade de avaliar integralmente o cerne da questão, sem nenhum prejuízo para a compreensão cognitiva, o que levará determinado sujeito a concluir dali todas as possibilidades de divagação e raciocínio inerentes à idéia principal agora expressa em poucos vocábulos, numa exposição subtraída de elementos supérfluos e que só tornam complicado o estudo sobre aquela afirmação primeira (objeto da redução praticada), sendo que, é óbvio, o sentido literal permanecerá mesmo que os termos desta feita utilizados para reprisar o pensamento não contenham, em si próprios, os fonemas e palavras idênticos aos antes aproveitados, resultando disso tudo uma sentença com sabor e som inteiramente novos, embora isso não traga dificuldade de espécie alguma para percebermos que a oração ficou mais curta, ganhando um tamanho notavelmente menor que a anterior, além de uma exatidão que afasta equívocos para quem a assimila, pois é evidente que os resumos são os grandes responsáveis pela melhoria na comunicação, significando economia de tempo e de paciência entre todos os seres humanos que têm o que dizer para os demais. Sinteticamente, é isso.

a regra é clara

Assim Santo Agostinho resumiu toda a teologia:

"Ama, e faça o que quiseres."


Assim resumiu mais ainda algum poeta:

Amem.
Amém!

hai caindo

Se é para falar sobre queda de folhas, também posso fazer meu próprio haikai:


flores de ipê
só sujeira amarela
que alguém vê

quarta-feira, março 22, 2006

loucura, loucura, loucura!



dois loucos no bairro

um passa os dias
chutando postes para ver se acendem

o outro as noites
apagando palavras
contro um papel branco

todo bairro tem um louco
que o bairro trata bem
só falta mais um pouco
pra eu ser tratado também
Paulo Leminski


meu coração é um hospício dos infernos
onde médicos são tratados pelos internos

Thadeu Wojciechowski

o espírito do blog

terça-feira, março 21, 2006

expressões gaudérias

Esses velhos deitados gauchescos são mais tradiconais que caixa de Maizena. Mas ainda são mais eficientes que japonês na roça.


Afiado como navalha de barbeiro caprichoso.

Agarrado como carrapato em culhão de touro.

Apertado como rato em guampa.

Assanhada como solteirona em festa de casamento.

Atirado como interesse de viúva.

Aumentar como barriga de prenha.


Bater mais que brigadiano na mulher.


Brilhar como ouro de libra.


Bueno como namoro no começo.

Buliçoso que nem mico de viúva.

Cair bem como chuva em roça de milho.

Calmo que nem água de poço.

Cara amarrada como pacote de despacho.


Causar alvoroço que nem mata-mosquito em convento.


Chiar como uma locomotiva no cio.


Cobiçada como anca de viúva nova e bonita.


Comer mais que remorso.

Como tosa de porco: muito grito e pouca lã.

Contente como cusco de cozinheira.

Contrariado como gato a cabresto.


Dá mais que pereba em moleque.


De boca aberta que nem burro que comeu urtiga.

Devagar como enterro de a pé.


Dormir atirado que nem lagarto.


Dormir que nem sapo morto estirado nos arreios.


Encardido como peleia de caudilho.


Encordoado como teta de porca.


Enfeitado como bidê de china.

Engraçado como gorda botando as calça.


Esfarrapado que nem poncho de gaudério.

Espalhar-se como pó de mangueira em pé de vento.

Esparramado como dedo de pé que nunca entrou em bota.

Esperto que nem gringo de venda.

Extraviado que nem chinelo de bêbado.


Faceiro como mosca em rolha de xarope.

Feia como mulher de cego.


Feliz que nem lambari de sanga.

Fino e comprido como pio de pinto.

Firme que nem prego em polenta.

Frouxo como peido em bombacha.


Furioso como gato embretado em cano de bota.


Gordo e lustroso como gato de bolicheiro.


Gosmento como cuspida de bêbado.


Grosso como rolha pra poço.


Grudado como bosta em tamanco.

Judiado como filhote de passarinho em mão de piá.


Louco como galinha agarrada pelo rabo.

Mais à vontade que bugio em mato de boa fruta.


Mais alto que cavalo de oficial.


Mais amontoado que uva em cacho.


Mais angustiado que barata de ponta-cabeça.

Mais apertado que nó de soga em dia de chuva.

Mais apressado que cavalo de carteiro.

Mais arisca do que china que não quer dar.


Mais assustado que véia em canoa.


Mais atirado pra trás que pica-pau em tronqueira.


Mais atirado que alpargata em cancha de bocha.

Mais atrasado que bola de porco.


Mais baixo que vôo de marreca choca.


Mais bonita que laranja de amostra.

Mais branco que perna de freira.


Mais caro que argentina nova na zona.

Mais ciumenta que mulher de tenente.


Mais complicado que receita de creme Assis Brasil.


Mais comprido que esperança de pobre.


Mais comprido que suspiro em velório.

Mais conhecido que a reza do padre-nosso.


Mais conhecido que parteira de campanha.


Mais curto que coice de porco.

Mais delgado que cachaço emprestado.


Mais demorado que enterro de rico.


Mais desconfiado que cego que tem amante.

Mais difícil que nadar de poncho.


Mais duro que pau de preso.


Mais encolhido que tripa grossa na brasa.


Mais enfeitado que burro de cigano em festa.


Mais enfiado que cueca em bunda de gordo.


Mais engraxado que telefone de açougueiro.


Mais enrolado que lingüiça de venda.

Mais entravado que carteira em bolso de sovina.

Mais escandaloso que relincho de burro chorro.

Mais faceiro que gordo de camiseta.

Mais faceiro que guri de bombacha nova.

Mais fácil que fazer falar um rádio.

Mais fechado que baú de solteirona.


Mais fedorento que arroto de corvo.

Mais feio que indigestão de torresmo.


Mais fino que assobio de papudo.

Mais firme que catarro em parede.


Mais forte que peido de burro atolado.

Mais gostoso que beijo de prima.

Mais grosso que cintura de sapo.


Mais importante que o irmão da rapariga do cabo.


Mais inútil que buzina em avião.

Mais inútil que mijar em incêndio.


Mais ligado que rádio de preso.


Mais ligeiro que tainha de açude.


Mais linda que camisola de noiva.

Mais magro que guri com solitária.

Mais medroso que cascudo atravessando galinheiro.

Mais metido que piolho em costura.


Mais nervoso que anão em comício.


Mais nojento que mocotó de ontem.

Mais perdido que surdo em bingo.

Mais perfumado que mão de barbeiro.

Mais pesado que pastel de batata.


Mais prestimosa que mãe de noiva.


Mais quieto que guri cagado.


Mais sério que guri mijado.


Mais triste que último dia de rodeio.


Mais usado que pronome oblíquo em conversa de professor.

Mais vaidoso que guri em chineiro.

Mais velho que mijar em arco.

Pelado que nem sovaco de perneta.


Que nem carro de funebreiro: só leva.

Que nem serra elétrica, não pode ver pau de pé.


Quem revela a fonte é água mineral.

Sofrer como joelho de freira na Semana Santa.


Solito como galinha em gaiola de engorde.


Tranqüilo e sereno que nem baile de moreno.


Virar-se mais que minhoca na cinza.

Vivo como cavalo de contrabandista
.


águas de março fechando o verão

Alguém lembrou? Hoje começa o outono.


Para celebrar, um haicaipira do Domingos Pellegrini:

Folhas caindo

cartas do outono avisando:

já vem vindo

segunda-feira, março 20, 2006

oleandros

separados no nascimento

Incrível como coincidências acontecem. Com tanta combinação de genes, justo esta precisaria estar tão próxima?

Perceba a semelhança entre Josh Holloway, o "Sawyer" da série "Lost" e Thiago Bredow, o "Bredok" da série "Bredok, o demolidor".

ânima

Sempre gostei de desenhar. Todos meus cadernos, apostilas e livros escolares ficaram recheados de desenhos.

Contudo, todos os personagens de meus desenhos eram masculinos. Dificilmente conseguia desenhar algum personagem feminino com sem um queixo quadrado, ombros grandes e por aí vai. Não ficava bom.

Estou feliz porque consigo agora desenhar meninas e mulheres com graciosidade. Creio que estou no caminho, veja que bonitinho o desenho de minha autoria:


E o melhor: sem perder minha masculinidade.

domingo, março 19, 2006

seu josé

A tempo, hoje é dia de São José.


Homem de silêncio, foi quem ensinou o ofício da carpintaria a Jesus. Provavelmente muitas outras coisas.

Deve ter sido um excelente pai. Tanto é que, a partir desta experiência de paternidade humana, Jesus teve a idéia de chamar Deus de Pai. Idéia inédita em todos campos religiosos ocidentais e orientais até o momento. Só isto lhe justifica a santidade.

Em minha família são três os Josés. Meu pai, meu avô e meu sogro.

São José, intercedei pelos seus Josés.
Amém.

sábado, março 18, 2006

siddharta gautama

Acabei de ler a série Buda, de Ozamu Tezuka. É um mangá em 14 volumes, com um total de mais de 3000 páginas.


Simplesmente genial! Tezuka possuir uma narrativa sequencial equiparável ao Will Eisner. Ou até melhor. São quadrinhos de primeira grandeza, com desenhos simples e com um dinamismo que não me recordo de ter lido antes.

Não me converti ao budismo. A biografia de Buda é interessante, mas neste mangá é apenas um pano de fundo para o entrelaçamento de inúmeras outras histórias. Este, aliás, é o principal defeito desta obra, caso passamos chmar isto de defeito. São quase uma centena de personagens diferentes (Buda é apenas um deles: mesmo sendo um iluminado, às vezes fica à sombra de outros personagens mais fortes) . Da próxima vez que reler a coleção vou fazer questão de contar quantos são os personagens nomeados, talvez até passem de cem. Aparecem personagens novos até no finzinho da história. Assim fica difícil de acompanhar todas as histórias entrecruzadas, é um grande exercício de atenção.

Ah, mas vale a pena. Espero que, para quem não leu, a Conrad lance agora uma caixa com todos os volumes a um peço mais acessível. Afinal, 14 volumes a R$19,90 cada um não lá é muito fácil de aquirir.

Agora aguardo o próximo lançamento do Texuka, "Adolf". Conta a histórias de vários Adolfos, inclusive o Hitler. Meu irmão leu e garantiu que é melhor que o "Buda". Hitler melhor que Buda? É aguardar pra ler.

quer andar de carro velho, amor?


Paixões de carona

— Carona? Tudo bem... – ela concordou. — Onde você mora? Eu vou para a Kennedy...

Não ter carro às vezes é meio chato. Principalmente quando se deseja chegar em qualquer lugar em específico.

— Eu moro longe, perto do Barigui. Mas estou indo bem pra lá agora! – minto.

A gente fica na dependência dos ônibus e seus horários imprevisíveis. Outra saída é correr atrás de caronas. Nada que um pouco de cara-de-pau e insistência não consiga. Eu pessoalmente não aprecio muito essa última.

— Opa! Então vamos – ela disse apanhando a bolsa.

Porém, como estou há muito tempo sem carro posso dizer que já estou acostumado. É claro que penso em um dia comprar um, assim como todo mundo. Antigamente sonhava com os grandes conversíveis, estilo americano, como em Miami Vice onde os policiais entravam no carro sem precisar usar a porta. Mas essa fase extravagante passou e hoje se fosse escolher optaria por algo mais discreto.

— Só não repare no carrinho meio velho...

Que interessante, ela tem um carrinho meio velho.

— Velho? Claro que não... – tento amenizar.

Amenizar? Como se precisasse... todo mundo sabe que não há nada mais charmoso do que uma mulher bonita dirigindo um carrinho velho. Sim, mulher bonita e carro velho, estou falando sério! Esse tipo de coisa só não é divulgada senão geraria uma crime na indústria automobilística. As vendas dos carros-zero despencariam, todo mundo trocaria o Corsa pelo Passat.

— Vou visitar uma amiga que mora lá na Kennedy – explico.

— Humm... – ela diz toda concentrada manobrando o carro. Qualquer hora ela devia saber que fica linda fazendo baliza...

Por outro lado, duvido muito que a recíproca funcione. Pelo menos eu não sentia qualquer charme quando dirigia o Fiat 147 do meu irmão. A invisibilidade só não era completa por causa dos ruídos excessivos do carro, além da sensação de que as peças descolariam da lataria a cada instante.

— Em que altura ela mora? – ela pergunta.

— Olhe... eu não conheço tão bem assim a rua Kennedy – tento ganhar tempo. — Até onde você vai?

— Eu moro perto do Paraná Clube.

— Paraná Clube? Então eu vou até onde você for.

Certa vez me perguntaram o que tinha de interessante numa mulher bonita dirigindo um carro velho. Em primeiro lugar, é importante dizer que o carro não pode ser uma lata velha furada, é necessário que o veículo não chame mais atenção do que a motorista. Quando digo carro velho, falo dos veículos bem rodados, meio gastos, mas que ainda rodam. Um carro sem o apelo da beleza e modernidade, esses atributos podem ficar apenas com a motorista.

— E a sua amiga, onde ela mora?

— Na altura do supermercado Extra.

— Nossa, que longe! Por que você não me avisou que eu parava lá perto?

Parar lá perto e encurtar ainda mais essa viagem com tão agradável companhia? Claro que não! Inventei alguma história boba para justificar.

— Não, é que como eu não liguei para ela, não quero aparecer assim “do nada”. Eu vou andando um pedaço e dou um tempo para ela – bela mentira, hein?

— É realmente... – ela concorda parando o carro numa vaga para eu saltar. — Olha só, eu moro aqui pra cima – diz apontando para a rua que sai da esquina.

— Poxa, bom saber... é que eu venho muito para cá e posso pegar carona contigo, não ?

Nos despedimos brevemente e logo me vi a pé na rua Kennedy. Como eu ia dizendo anteriormente, não ter carro às vezes é meio chato. Fica difícil se locomover, os ônibus são imprevisíveis, os táxis caros. Mas uma coisa deve ser dita, para algumas ocasiões não ter carro é uma grande vantagem, principalmente para pegar carona com uma bela mulher num carro velho.

sexta-feira, março 17, 2006

a biodiversidade está na gente?

Em tempos de COP, MOP, LOBBY; pequeno produtor rural entrando em colpaso; discussões se contém ou pode conter transgênicos.... esta animação em flash vem a calhar. Quatro minutos de uma perspicaz paródia do famoso filme da pílula vermelha.


Enter the meatrix.

quinta-feira, março 16, 2006

vá de novo ao teatro

Outra peça imperdível no Festival. Se você ainda não viu não perca esta chance novamente.



Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos

"Perversão, cultura pop e humor. Um médico legista, um cataléptico vendedor de seguros de vida e uma desenhista de quadrinhos sem encontram em um necrotério. A montagem em ritmo alucinante faz referências explícitas ao ritmo da linguagem das histórias em quadrinhos, a estética dos filmes de Quentin Tarantino e filmes trash dos anos 80. Vencedor de cinco troféus Gralha Azul, incluindo 'Melhor Espetáculo'."

Dias 22 a 26 às 22h
Teatro da Caixa
R$ 15,00 e R$7,00

Consegue misturar teatro, HQ e música, uma mistureba de mídias e tecnologias que convence. Uma estética modernosa alida à uma história bem contada.

Repito, é imperdível.

vá ao teatro

Indeciso com as centenas de peças do maior festival brasileiro de teatro?

Minha sugestão é:


Assassinatos em série

"Rebeca Almeida é uma jovem atriz que resolve vingar a morte de seu pai, um grande ator, induzido ao suicídio após ler as críticas destrutivas sobre seu último espetáculo, Milkshake de Shakespeare. Ela organiza um congresso teatral para poder executar seu plano macabro: assassinar os maiores críticos de teatro do Brasil."

Dias 16, 17, 18, 23, 24 e 25 às 24h e
Dia 19 às 15h no
Teatro Edson d´Ávila
R$ 15,00 e r$ 7,00

Já vi e recomendo. Rende boas risadas.
A trilha sonora é do meu irmão. Excelente aliás. A trilha, meu irmão é meia-boca.

incenso fosse música

passarinho, que som é esse?


Todos esses que aí vão
atravancando meu caminho
eles passarão
eu passarinho

Mário Quintana

homenagem à Vygostsky


Pensamento

Segundo Quino.

homenagem à Vygostsky


Linguagem

Segundo Quino.

quintana e a arte de sonhar acordado



Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!


bobages que agente houve (e fala)



E aí? Firme no agrião?

Esta vai em homenagem ao Plínio.

rebelde


Chupado do blog do Solda.

quarta-feira, março 15, 2006

o espírito do blog segundo o Pitu

terça-feira, março 14, 2006

o espírito do blog

natação e cultura


Na mitologia grego-romana descrito como Helesponto e hoje nomeado como estreito de Dardanelos, esta importante marca geográfica que separa a Ásia da Europa abrigou nas suas proximidades a famosa cidade de Tróia e inúmeras histórias. Possui 71 km de longitude, profundidade média de 50 metros e, o detalhe importante para esta história, varia entre 1.600 e 6.500 m de largura. (Para visualizar no Google Earth: 40 08 34 N 26 23 17 E )

Pois bem, através dos versos de Museio sabemos que viveu na cidade de Sestos, na margem européia do Helesponto uma encantadora donzela chamada Hero. Sacerdotisa de Vênus, era responsável por cuidar das pombas sagradas.

O destino aproximou-a de Leandro, um bravo e encantador rapaz que morava em Ábidos, na margem asiática e, portanto, oposta à cidade de Hero.

Apaixonados, encontravam-se secretamente todas as noites em uma gruta na praia de Sestos. Mas para que isto pudesse acontecer, Leandro atravessava o estreito a nado, guiado apenas pela luz de uma tocha que Hero mantinha acesa no alto de uma torre.

Certa vez, porém, a tocha foi apagada por um ventaval. Sem guia, Leandro pereceu e seu corpo foi conduzido pelo mar agitado até a entrada da gruta. Ao ver seu amado morto, Hero levou as mãos ao peito e com um grito angustiante, saltou da torre em direção ao cadáver de seu amado.

Em 1818, o poeta e também esportista Lord Byron quis reconstruir a façanha de Leandro e realizou a travessia do canal de Dardanelos em 1 hora e 10 minutos. Hoje a realização desta travessia é muito comum.

Bom, esta história foi contada brevemente pelo meu professor de natação, o Rômulo, assim que consegui completar 1.600 m em uma aula (50 min).

Agora chego a duas conclusões:

1. Meu preparo físico, guardadas as devidas condições normais de temperatura e pressão que uma piscina proporciona, equivale ao de Lord Byron.

2. Nunca nade no mar à noite em dias de vendaval.

segunda-feira, março 13, 2006

zen vergonha

leminski & wojciechowski

O muito belíssimo texto abaixo esteve presente no blog do Polaco da Barreirinha e no jornal de poesia Nicolau. De vez em quando aparecem um exemplares gratuítos na livraria do Chain. Descole o seu. Diagramação e ilustrações imbatíveis, textos curtos e deliciosos. Excelente leitura para banheiro (o jornal, não o blog).


O dia em que encontrei o Paulo Leminski

com a camisa do coxa.

Encontro o polaco, no meio da madrugada. Alegrinhos, eu e ele. - Onde você esteve todos esses dias em que eu lhe lia? - pergunto ainda abatido pelas notícias de sua morte.
- Por aí, brincando no judô e lutando com a poesia.
- Vivo ou morto?
- Isso ninguém sabe.
- ?!
- Como é que estão o Solda, Retta, Alice Ruiz, Marcos e Roberto Prado, Sérgio Viralobos, Wilson Bueno, Fernando, Reinoldo, Hamilton e a minha querida Helena Kolody?
- E o Cardoso??, argúo antes de responder.
- Abriu outro Bar do Cardoso, lá. Está declamando cada vez melhor.
- Lá?
- É.
- Onde fica lá?
- Isso ninguém sabe.
- ?!
- Em que ano nós estamos?
- 7 de junho de 1996.
- Porra!!
- O que deu em você de me aparecer assim no meio da madruga?
- Saudades de Curitiba. E você ainda não me respondeu como é que está a turma toda.
- Bem, bem. Todo mundo com livro novo. Curita, em matéria de poesia, é de morte mesmo, né?
- Eu que o diga.
- O que você quer dizer exatamente com isso?
- Quero dizer que vamos sentar em algum lugar e beber. Estou morto de vontade de umas vodkas e muitas cervejinhas.
- Vamos lá, no Estorvo, o bar do Cobaia, um jovem poeta que você precisa conhecer.
- Você falou lá?
- Falei, mas este lá eu sei onde fica.
Fomos. No caminho reparo que o Leminski está com a camisa do Coritiba.
- Você não é atleticano ?
- Era. Evoluí, lá.
Fico feliz, sou coxa-branca roxo, todo mundo sabe. Sentamos, frente à frente. Ele, forte, saudável, dentes brancos, barba feita, bigode impecável, parece ter rejuvenescido 20 anos; eu, daquele jeitão de sempre.
- Ahhh! que saudades, cara. Não tomava uma dessas há anos.
- E o Bar do Cardoso, lá não tem bebida?
- Isso ninguém sabe.
- Mas você não vai lá ?
- Às vezes.
- E então ?
- Então, o quê?
- !?
Entre versos, prosas, goles, tiradas espirituosas, trocadalhos do carilho, goles, teorias, filosofices, piadas, comentários, goles, análises, adendos, réplicas, goles, tréplicas, observações, picuinhas e aleivosias, tomamos todas, literalmente. Trôpegos, vimos o sol nascer e o bar se pôr. Rindo, entre um abraço, um cambaleio e outro poema, me despeço: “eu vou pra lá e você?”.
- Eu também.

Antonio Thadeu Wojciechowski

domingo, março 12, 2006

bobages que agente houve (e fala)


E aí? Firme na mandioquinha?

(Também conhecida como aipim ou macaxeira)

o jovem adolf

Charge de Crist.

breve explicação inicial para os não iniciados


Definição de "bochincho" do dicionário Gauchês-Português do Babylon:

Baile de plebe, arrasta pé, espécie de batuque, divertimento chinfrim próprio de gentalha.

Desordem, briga.

o bochincho


Os famosos versos gaudérios. Não leia. Decore. E declame.


Bochincho

A um bochincho - certa feita,
Fui chegando - de curioso,
Que o vicio - é que nem sarnoso,
nunca pára - nem se ajeita.
Baile de gente direita
Vi, de pronto, que não era,
Na noite de primavera
Gaguejava a voz dum tango
E eu sou louco por fandango
Que nem pinto por quireral.

Atei meu zaino - longito,
Num galho de guamirim,
Desde guri fui assim,
Não brinco nem facilito.
Em bruxas não acredito
'Pero - que las, las hay',
Sou da costa do Uruguai,
Meu velho pago querido
E por andar desprevenido
Há tanto guri sem pai.

No rancho de santa-fé,
De pau-a-pique barreado,
Num trancão de convidado
Me entreverei no banzé.
Chinaredo à bola-pé,
No ambiente fumacento,
Um candieiro, bem no centro,
Num lusco-fusco de aurora,
Pra quem chegava de fora
Pouco enxergava ali dentro!

Dei de mão numa tiangaça
Que me cruzou no costado
E já sai entreverado
Entre a poeira e a fumaça,
Oigalé china lindaça,
Morena de toda a crina,
Dessas da venta brasina,
Com cheiro de lechiguana
Que quando ergue uma pestana
Até a noite se ilumina.

Misto de diaba e de santa,
Com ares de quem é dona
E um gosto de temporona
Que traz água na garganta.
Eu me grudei na percanta
O mesmo que um carrapato
E o gaiteiro era um mulato
Que até dormindo tocava
E a gaita choramingava
Como namoro de gato!

A gaita velha gemia,
Ás vezes quase parava,
De repente se acordava
E num vanerão se perdia
E eu - contra a pele macia
Daquele corpo moreno,
Sentia o mundo pequeno,
Bombeando cheio de enlevo
Dois olhos - flores de trevo
Com respingos de sereno!

Mas o que é bom se termina
- Cumpriu-se o velho ditado,
Eu que dançava, embalado,
Nos braços doces da china
Escutei - de relancina,
Uma espécie de relincho,
Era o dono do bochincho,
Meio oitavado num canto,
Que me olhava - com espanto,
Mais sério do que um capincho!

E foi ele que se veio,
Pois era dele a pinguancha,
Bufando e abrindo cancha
Como dono de rodeio.
Quis me partir pelo meio
Num talonaço de adaga
Que - se me pega - me estraga,
Chegou levantar um cisco,
Mas não é a toa - chomisco!
Que sou de São Luiz Gonzaga!

Meio na volta do braço
Consegui tirar o talho
E quase que me atrapalho
Porque havia pouco espaço,
Mas senti o calor do aço
E o calor do aço arde,
Me levantei - sem alarde,
Por causa do desaforo
E soltei meu marca touro
Num medonho buenas-tarde!

Tenho visto coisa feia,
Tenho visto judiaria,
Mas ainda hoje me arrepia
Lembrar aquela peleia,
Talvez quem ouça - não creia,
Mas vi brotar no pescoço,
Do índio do berro grosso
Como uma cinta vermelha
E desde o beiço até a orelha
Ficou relampeando o osso!

O índio era um índio touro,
Mas até touro se ajoelha,
Cortado do beiço a orelha
Amontoou-se como um couro
E aquilo foi um estouro,
Daqueles que dava medo,
Espantou-se o chinaredo
E amigos - foi uma zoada,
Parecia até uma eguada
Disparando num varzedo!

Não há quem pinte o retrato
Dum bochincho - quando estoura,
Tinidos de adaga - espora
E gritos de desacato.
Berros de quarenta e quatro
De cada canto da sala
E a velha gaita baguala
Num vanerão pacholento,
Fazendo acompanhamento
Do turumbamba de bala!

É china que se escabela,
Redemoinhando na porta
E chiru da guampa torta
Que vem direito à janela,
Gritando - de toda guela,
Num berreiro alucinante,
Índio que não se garante,
Vendo sangue - se apavora
E se manda - campo fora,
Levando tudo por diante!

Sou crente na divindade,
Morro quando Deus quiser,
Mas amigos - se eu disser,
Até periga a verdade,
Naquela barbaridade,
De chínaredo fugindo,
De grito e bala zunindo,
O gaiteiro - alheio a tudo,
Tocava um xote clinudo,
Já quase meio dormindo!

E a coisa ia indo assim,
Balanceei a situação,
- Já quase sem munição,
Todos atirando em mim.
Qual ia ser o meu fim,
Me dei conta - de repente,
Não vou ficar pra semente,
Mas gosto de andar no mundo,
Me esperavam na do fundo,
Saí na Porta da frente...

E dali ganhei o mato,
Abaixo de tiroteio
E inda escutava o floreio
Da cordeona do mulato
E, pra encurtar o relato,
Me bandeei pra o outro lado,
Cruzei o Uruguai, a nado,
Que o meu zaino era um capincho
E a história desse bochincho
Faz parte do meu passado!

E a china - essa pergunta me é feita
A cada vez que declamo
É uma coisa que reclamo
Porque não acho direita
Considero uma desfeita
Que compreender não consigo,
Eu, no medonho perigo
Duma situação brasina
Todos perguntam da china
E ninguém se importa comigo!

E a china - eu nunca mais vi
No meu gauderiar andejo,
Somente em sonhos a vejo
Em bárbaro frenesi.
Talvez ande - por aí,
No rodeio das alçadas,
Ou - talvez - nas madrugadas,
Seja uma estrela chirua
Dessas - que se banha nua
No espelho das aguadas!

Jayme Caetano Braun