meandros

domingo, abril 30, 2006

mais lost que cachorro que caiu do avião de mudança



Desde Arquivo X que não se via uma série de televisão com tamanho sucesso. Lost, que teve sua primeira temporada exibida pela Globo nas madrugadas deste ano e está atualmente com a segunda temporada em exibição pela TV a cabo (e pela internet), merece tamanho sucesso.

Ótimo roteiro, aguça a necessidade humana da busca de sentido dados tantos mistérios deixados com as pontas abertas no decorrer da trama.

Se você não conhece a série, o texto acima é seu, o texto abaixo não. Se você já conhece, ignore o texto acima e verifique se você é louco por Lost com o texto de Carlos Alexandre extraído do blog Dude! We are lost!.


VOCÊ SABE QUE É LOUCO POR LOST QUANDO...

...você vai passear numa floresta ou bosque e fica procurando escotilhas por todo o canto;

...ouve Oasis e pensa: "Pô, esses caras copiam o DriveShaft descaradamente!";

...vai pegar algo na despensa de casa e fica imaginando o logo da Dharma nas compotas e latas;

...procura os "bad numbers" em tudo: na hora em que acorda, nos prédios, linhas de ônibus e nos bilhetes de cinema e teatro - e quando acha algum deles dá uma risadinha de satisfação;

...começa a falar sozinho "baaaaaad robot!" no fim de cada atração televisiva, independentemente de se tratar de Lost ou não;

...alguém te impõe um empecilho em algo e você retruca: "Não me diga o que não posso fazer!";

...não pode mais ver um octógono que já lembra da organização de Alvar Hanso;

...vai à churrascaria e fica louco pra provar carne de javali;

...vê no Discovery Channel ou no National Geographic um urso polar na Antártida e por um segundo que seja pensa que ele está no habitat errado;

...se depara com um fusca vermelho na rua, acha o máximo e fica com vontade de tirar foto ao lado dele - e também procura um careca no comando do veículo;

...japoneses ? chineses ? Nada disso: todo oriental na verdade é coreano ou descende de um - ou se você tem olhos puxados e é chamado de "Jin" ou "Sun", adora o novo apelido;

...pensa e finge que TODOS os labradores de pêlo claro se chamam Vincent, chamando-os inclusive pelo nome sempre que passam por um;

...não pode mais ouvir falar em transplante de rim que te dá um aperto no coração;

...sorteios da megasena ganharam uma conotação toda especial;

...seu inglês tem agora um surpreendente sotaque iraquiano;

...machuca o dedo e logo aproveita pra colar nele um esparadrapo e escrever algo em cima;

...numa mesa de bar, bebericando entre amigos, em vez de brindes você propõe rodadas de "Eu Nunca";

...sabe que nunca mais vai pegar um vôo na vida sem pensar no 815.



sábado, abril 29, 2006

sábado de sol



Uma das inúmeras feiras livres silenciosas de Curitiba.

sexta-feira, abril 28, 2006

evolução da mediocridade masculina

Este foi mais fácil. Mais uns 60 e pego o jeito. Para melhor visualização, clique na figura abaixo.


evolução da mediocridade feminina

Se é falta de prática, se é falta de talento, se é inerente ao processo, se são todos estes fatores ao mesmo tempo... não sei. Sei que deu um trabalhão para eu criar a charge abaixo. Quando tive a idéia parecia mais fácil.

Enfim, clique na figura e confira. Se eu continuar disposto, mais dessas aí vão aparecer.


quinta-feira, abril 27, 2006

meandros


segunda-feira, abril 24, 2006

gosto tanto de te ver, leãozinho



Nesta semana o assunto por aí é a declaração do Imposto de Renda. Quem deve declarar, quem deve permanecer em silêncio e, principalmente, como diminuir a bocada do Leão e aumentar a restituição, se for possível.

Trocam-se dicas e macetes sobre dependentes, notas fiscais, formulários simples e compostos, trocam-se notícias sobre a temida malha fina que pega peixes grandes e alguns pequenos que são soltos novamente para que cresçam e possam ser pescados novamente.

Não quero posar de falso moralista. Se escrevo este texto é porque tenho pouco a pagar para a Receita Federal. Se tivesse muito, provavelmente contribuiria na conversa.

Mas isto me incomoda por duas razões.

A primeira é de ordem econômica. Entendo tanto de economia quanto de química orgânica, mas me arrisco. Todos falam em distribuição de renda. O Brasil é um país com um dos menores (ou piores, o que dá no mesmo) índices de distribuição de renda, diz-se. No melhor estilo do Hobbin Hood, entendo que distribuir renda significa tirar dos ricos para dar aos pobres.

Como tirar dos ricos e dar aos pobres sem promiscuidade e/ou modelitos verdes com penas no chapéu? Impostos justos. Ok, ok, mas nossos impostos não são justos e achatam a classe média, etc., etc... Mas que é preciso tirar dos ricos não há dúvidas e para isto é preciso que não haja sonegação nos grandes montantes de renda.

A segunda razão é de ordem moral. Uma vez perguntaram a Jesus se os impostos para o Império Romano deveriam ser pagos. Perceba que o Império Romano era muito pior que qualquer Império Americano e que não trazia nada além do que espoliação a Judéia, Galiléia e Samaria. Dai a César o que é de César, foi a resposta do jovem galileu.

Sem apelar para convicções religiosas, a questão é mais profunda e envolve coerência. Alguém que sonega o imposto na cara dura não pode se queixar de mensalões, dancinhas da pizza ou qualquer tipo de desvio de dinheiro. Estando do lado de cima de nossa sociedade hierárquica, quem garante que não faria o mesmo? Só pode garantir quem, com todas as razões para o contrário, permaneceu ético e coerente com seus princípios (o que dá no mesmo) e não tentou passar ninguém para trás no melhor jeitinho brasileiro.

Repito, não estou posando de santo de pau oco. Tenho lá minhas incoerências, minhas transgressões pequenas e grandes. Mas este assunto me incomoda.

Assim como incomoda o lugar-comum, "se sobéssemos que o dinheiro é bem aplicado...". Ao menos para isto vejo uma saída.

Existe uma opção de realizar doações do imposto de renda (que até certo de ponto é dedutível) ao Fundo da Criança e do Adolescente de sua cidade ou entidades cadastradas pela prefeitura de sua cidade. Doar para entidades é uma alternativa bem interessante, pois é possível com clareza e transparência acompanhar a aplicação do dinheiro. Se quiser posso sugerir algumas em que confio.

Quem sabe para o ano que vem é uma boa idéia.

desde Cabral que todo mundo rouba

Reproduzo novamente um post do comecinho do blog, pois penso ser muito pertinente e complementar à postagem acima.

No CD Ana & Jorge - excelente, diga-se de passagem - Ana Carolina declama um texto de Elisa Lucinda bastante apropriado para a atual conjuntura política-econômica-social brasileira. Tomei a liberdade de reproduzí-lo abaixo.

A interpretação da cantora pode ser conferida neste vídeo extraído do DVD homônimo.


SÓ DE SACANAGEM

Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.

Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.

Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."

Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.

Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

oleandros

motivação e liderança

domingo, abril 23, 2006

teste de inteligência

O que é a inteligência? O que é um teste? O que é mais uma bobagem na internet?
As duas primeiras perguntas permanecem em discussão.
Para a terceira, a resposta é o seguinte:


QUESTÕES

1 - Digite seu nome no quadrado abaixo.

2 - Existe 7 de setembro em Portugal?

3 - Alguns meses têm 30 dias e outros têm 31. Quantos tem 28 dias?

4 - Você acha uma caixa de fósforos, e você está em um quarto escuro e frio. No quarto tem um lampião à gasolina e um punhado de lenha. O que você acenderia primeiro?

5 - Um fazendeiro tinha 14 vacas, todas elas, exceto 9, morreram. Quantas vacas sobreviveram?

6 - Um homem construiu uma casa em retângulo, apontando para o sul, e então apareceu um urso polar. Qual é a cor do urso?

7 - Você deixa São Paulo dirigindo um ônibus com 18 passageiros, com destino ao Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro você deixa 18 passageiros e pega 12. No dia seguinte as 12:00 horas você chega a Vitória-ES. Qual é o nome do motorista?

8 - Quantos animais de cada espécie Moisés colocou na arca?

9 - A mãe de Alice teve 4 filhas, Xaxá, Xexé e Xixi. Qual o nome da 4ª filha?

10 - Em um certo lugar do mundo existe 3 ilhas com 3 palmeiras, e cada palmeira deu apenas 1 coco. Quantos cocos existem em toda ilha?

RESPOSTAS

1 - Não escreva nada, pois não existe quadrado algum e, sim, um retângulo.

2 - É claro que sim! É só olhar no calendário! 7 de setembro existe em qualquer lugar.

3 - Todos os meses têm 28 dias... Você já viu um mês com menos de 28 dias por acaso?

4 - O fósforo é claro!

5 - Somente 9, é só calcular.

6 - Branco... Você já viu urso polar de outra cor?

7 - É o seu próprio nome, porque quem está dirigindo é você!

8 - Nenhum, porque quem colocou os animais na arca foi Noé.

9 - Alice, como foi dito no começo da pergunta, lembra? A mãe de Alice...

10 - Nenhuma! Palmeira não dá coco.

sobre a necessidade e a impossibilidade


sábado, abril 22, 2006

soneto

Segundo a Wikipedia,

"O soneto é um poema que se estrutura formalmente em duas estrofes de quatro versos cada, os quartetos ou quadras, e duas estrofes de três versos cada, os tercetos. Os sonetos são poemas métricos, cuja elaboração exige que todos os versos tenham o mesmo número de sílabas poéticas e um padrão definido de rimas. As métricas mais conhecidas e apreciadas são o decassílabo (10 sílabas poéticas) e o Alexandrino ou dodecassílabo (12 sílabas poéticas), mas podem ser sonetos se contarem com mais ou menos sílabas. Quanto à rima, é classica a estrutura ABBA nas quadras, podendo os tercetos admitir variações de rimas emparelhadas, cruzadas e interpoladas."

Segundo Gregório de Matos,


Um Soneto começo em vosso gabo:
Contemos esta regra por primeira,
Já lá vão duas, e esta é a terceira,
Já este quartetinho está no cabo.

Na quinta torce agora a porca o rabo;
A sexta vai também desta maneira;
Na sétima entro já com grã canseira,
E saio dos quartetihos mutio brabo.

Agora nos tercetos que direi?
Direi que vós, Senhor, a mim me honrais
Gabondo-vos a vós, eu fico um rei.

Nesta vida um soneto já ditei;
Se desta agora escapo, nunca mais:
Louvado seja Deus, que eu o acabei.

Gregório de Matos

sexta-feira, abril 21, 2006

meandros


revelação

Faz tempo que não lia um romance tão bom assim. Me refiro a "O Fotógrafo" de Cristóvão Tezza, escritor catarinense e curitibano.



O livro ganhou uma série de prêmios, entre eles o de melhor obra de ficção de 2005 da Academia Brasileira de Letras.

Uma história bem simples, alguém é contratado para fotografar uma moça sem saber as razões. Uma condução da história bem complexa, a consciência de cada personagem é desvelada e acompanha-se o fluxo de pensamento com todas as digressões permitidas e possíveis.

Durante o espaço de tempo de um dia, os personagens encontram-se, ou esbarram-se, em situações compartilhadas ou particulares. Afinal, o fotógrafo é contratado para registrar Irís, que faz terapia com Mara, que é casada com Duarte, que é professor de Lídia, que é casada com o fotógrafo.

Há um prazer adicional na leitura para quem, assim como eu, mora/estuda/trabalha no centro de Curitiba. Todos os eventos acontecem no centro, é possível espacial e geograficamente acompanhar toda a história na Santos Andrade, na Reitoria, na praça do Expedicionário, no Café do Teatro e por aí vai.

Boa literatura procurando bons leitores.

quinta-feira, abril 20, 2006

nova velha cara do blog


meandros ou linhas retas?



_.·¯`·._.·¯`·.poema em linha reta.·¯`·._.·¯`·._

      Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
      Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

      E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
      Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
      Indesculpavelmente sujo,
      Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
      Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
      Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
      Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
      Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
      Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
      Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
      Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
      Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
      Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
      Para fora da possibilidade do soco;
      Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
      Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

      Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
      Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
      Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

      Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
      Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
      Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
      Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
      Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
      Ó príncipes, meus irmãos,

      Arre, estou farto de semideuses!
      Onde é que há gente no mundo?

      Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

      Poderão as mulheres não os terem amado,
      Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
      E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
      Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
      Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
      Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

      Álvaro de Campos

    quarta-feira, abril 19, 2006

    enquanto isso, em Curitiba...



    Diminui a temperatura. Aumenta a criminalidade.

    10 anos do massacre de Eldorado do Carajás

    A luta continua.


    Charge do Paixão.

    terça-feira, abril 18, 2006

    oleandro


    super-heróis



    A internet disponibiliza algumas atividades de entretenimento e diversão no mínimo... divertidas! O HeroMachine é uma boa opção. Crie seu super-herói ou personagem mintirológico neste programinha em flash como quem rabisca uma folha de papel na pré-adolescência após ler um gibi de heróis musculosos.

    leitura




    leio sempre que posso
    mas não tanto quanto gosto
    é um grande negócio ler
    todo bom autor sem querer
    acaba virando meu sócio
    é que as boas idéias ensinam
    divertem, educam, brincam
    mas o melhor da obra prima
    vem quando a leitura termina
    tenho a alma a salvo do perigo
    e no mundo um grande amigo

    três pontos (3,0) na média!

    Apresento um artigo muito perspicaz e pertinente de meu colega de neuropsicologia e docência, Eugênio Pereira de Paula Júnior:

    Vale nota? Tem certificado?: Uma reflexão sobre o “capitalismo” acadêmico.

    Nestes 10 anos de vida docente, nos 30 de vida discente e com a ajudinha de alguns pensadores percebi que no contexto da educação atual existe uma “febre” pelos certificados e titulações. No velho oeste a febre do ouro levou muitos incautos ao ouro de tolo (Pirita) e, conseqüentemente, ao desastre e à ruína. Os filmes de faroeste não trazem a real proporção que tal febre alcançou e nem quantas pessoas pereceram ingenuamente, na busca da riqueza fácil.

    Nos dias atuais vejo que a febre da titulação se abate sobre outros incautos. Vejo muitos alunos, profissionais e até professores sedentos por um certificado. Vejo professores e promotores de congressos dizendo: “vai ter certificado para quer for”. Em palestras, vejam ! Palestras sim!, encontrei alunos comentando: “vão dar certificados? senão eu não vou!”. Vi, e sei que aqui alguém também já viu, muitos participantes de congressos entrarem no curso, assinarem a lista de presença, dizer: “já garanti o certificado” e saírem em seguida. Aqui, nesta semana acadêmica, vemos um exemplo disto, o certificado vale presença se você apresentá-lo ao professor na semana que vem.

    Talvez esta visão “mercenária” da titulação seja reflexo de uma cultura muito arraigada na nossa academia, a cultura da nota em primeiro ligar. É comum ouvir de meus alunos frases como: “o trabalho vale nota?”, “quanto vale a prova?”, “quanto eu tenho que tirar?” Diante disto convido-os a uma reflexão e pergunto: “aluno estuda ou contabiliza?”. Os alunos pensarem que nota resolve me escandaliza menos quando vejo, nós, professores correndo atrás de pontinhos ou décimos para aprovar ou reprovar um aluno... E talvez seja ingenuidade pensar que no mundo capitalista em que vivemos isto pudesse ser diferente.

    Estamos na cultura do Ter, onde a posse e a ostentação estão acima do Ser. O material, as coisas, estão acima do humano. Se você tem você é se não tem, mesmo sendo não é.

    A cultura meritória subverte a motivação e o desejo humano. A motivação que era e deveria ser intrínseca, deu lugar à motivação extrínseca. Vemos que esta lógica já se desenvolve cedo na escola com o exemplo dos vestibulinhos, ou seja, uma criança de seis anos já tem uma meta anterior ao aprender. Estudos (Bzuneck, 2000) têm demonstrado que não é saudável nos pautarmos apenas por uma delas. E é isto que quero denunciar, esta exacerbação da motivação extrínseca, este mercenarismo que nos desumaniza. É tempo de buscar o equilíbrio motivacional, dando mais atenção aos motivos subjetivos para nossas ações. Hoje só fazemos algo pensando: “e o que eu ganho com isto?” Ou “qual vai ser minha recompensa?”. Vejo que tal atitude promove a omissão e o mercenarismo. A omissão vem quando deixamos de fazer algo que nos é de competência pela simples ausência do prêmio ou da recompensa. O mercenarismo decorre de uma visão mesquinha onde nosso suor passa a ter um valor maior se for premiado – geralmente por alguns centavos - e caímos na lógica do capital – O mercenário não deixa de ser um proxeneta.

    Nietzsche, o médico da civilização, coitado morreu deixando sua paciente moribunda, já advertia sobre a ilusão dos títulos, prêmios e reconhecimento. Para ele o valor das coisas deve estar na ação de fazer algo. Fazer é a essência da glória.

    A vida não dá diploma, mas exige competência. A faculdade dá um diploma, em alguns casos ele é vendido, mas isto garante a competência que ele diz ter? Ouro de tolo!

    Mas antes que você, ávido por certificados, saia correndo daqui por considerar estas idéias como asneiras, gostaria de lembrar três personagens da história... Jean Paul Sastre em 1964, é eleito o Prêmio Nobel de Literatura, mas ele o recusa. Receber a honraria significaria reconhecer a autoridade dos juízes, o que considera inadmissível concessão. Marlon Brando também recusou um oscar em 1972 (The Godfather) e Emil Cioran que, acompanhado de Nietzsche, denunciava as ilusões da humanidade.

    Numa vertente mais otimista, dependendo da interpretação é claro, Freud em Toten e Tabu explicava a necessidade humana de ter algo para sustentar e justificar sua existência, assim o certificado, como as medallas, troféus, estatuas seriam totens portáteis que usamos para simbolizar nossas conquistas e nosso territorio. Em resumo, nosso narcisismo não se contém em apenas ser. È preciso exibirmos.

    Em outra vertente, mais otimista ainda, do behaviorismo, explicaríamos o certificado como um reforço secundário que aumentaria a probabilidade de resposta, ou o operante de produção do trabalho. Mas Skinner advertia que o reforço deve estar na tarefa em si, no fazer. Em educação o que deve ser reforçador é o estudo em si e não as artificialidades da nota. “Quando aprendemos a viver, a própria vida é a recompensa”.

    Numa cena da série Star Trek (localizar) o capitão J. L. Picard ao ser interpelado por quanto ele estava fazendo aquele determinado trabalho a resposta do capitão foi algo assim: “nao faço isto por dinheiro nem por honraria alguna, faço isto em prol da humanidade, em favor do progresso da espécie humana”. E nós ainda estamos aquí, correndo atrás de uns centavos e certificados.

    Mas temos como nos livrar desta mentalidade? Só nos livramos daquilo pelo que lutamos contra. Vou fazer minha parte... meu certificado já está pronto? (rasgar o certificado). Talvez seja um gesto vão, mas isto vale mais para mim que qualquer certificado. Talvez você argumente que os certificados sejam necessários, pois oficializam e comprovam uma competência. É preciso comprovar? A resposta parece quase óbvia, mas o que um comprovante falso, mentiroso ou oco comprova? Que tal pensarmos em uma outra forma? Algumas empresas já fazem a seleção de funcionários por competência, onde a titulação não basta, é preciso mostrar que o que o papel diz que você saberia fazer é verdadeiro e não comprado de um mercenário ou camelô de esquina. Você já ouviu falar no Zé Moleza? (Site da Internet de onde se compra trabalhos acadêmicos prontos).

    Mas não se preocupem, esta reflexão não cai na prova, não tem importância, não vale nota e você já tem o seu certificado garantido...


    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

    BERNHOEFT, R. Trabalhar & Desfrutar: equilíbrio entre vida pessoal e profissional. São Paulo: Nobel, 1991.

    BZUNECK, J. A. Motivar seus alunos: sempre um desafio possível http://www.unopar.br/2jepe/motivacao.pdf (acessado em 19/nov./2004)

    CARVALHO, J. D. D. Totem e tabu: Uma reflexão sobre o complexo de Édipo na origem da civilização. http://www.cientefico.frb.br/Textos%20CienteFico%202002.2/PSciologia /Epistemologia/Temas%20Livres/Freud%201913/Totem%20E%20Tabu.pdf (acessado em 19/nov./2004)

    MCLS http://www.mcls-rj.org/biosartre.htm (acessado em 18/nov./2004)

    http://www.bullz-eye.com/entertainers/marlon_brando.htm (acessado em 18/nov./2004)

    http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/poderoso-chefao/poderoso-chefao.htm#Curiosidades (acessado em 19/nov./2004)

    domingo, abril 16, 2006

    feliz páscoa!


    Como diz a Oração Eucarística VIII:

    "Nós vós agradecemos, Deus Pai Todo-Poderoso, e por causa de vossa ação no mundo vos louvamos pelo Senhor Jesus. No meio da humanidade, dividida em contínua discórdia, sabemos por experiência que sempre levais as pessoas a procurar a reconciliação. Vosso Espírito Santo move os corações, de modo que os inimigos voltem à amizade, os adversários se dêem as mãos e os povos procurem reencontrar a paz. Sim, ó Pai, porque é obra vossa que a busca da paz vença os conflitos, que o perdão supere o ódio, e a vingança dê lugar à reconciliação."

    sábado, abril 15, 2006

    nos embalos de sábado à tarde



    Pô, Tiririca é bom se comparado com os programas de domingo e, agora, de sábado!

    Você já viu o programa novo da Angélica? Não?! Sorte sua.

    Em frente a uma TV da mais alta treconologia, celebridades discutem assuntos importantes como os cachorrinhos da Suzana Vieira e as pernas da Cláudia Raia.

    Se o casal medicridade consegue tanto espaço assim na mídia, só me resta fazer o apelo do bom e velho Raulzito: "Pare o mundo que eu quero descer!"

    judas priest



    Charge do Amarildo.

    sábado de aleluia


    "Deus está morto." Nietzsche.

    O sábado santo apresenta justamente a morte divina, a frustração da humanidade por uma idéia que não deu certo. Por isso é dia de silêncio e também de espera, afinal todo mundo já sabe o final da história e que as coisas não são bem assim...

    Mas fico com uma dúvida teológica. A natureza de Jesus é dupla: verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Divindande e humanidade em sua pessoa são indissociáveis. Até aí, tudo bem.

    Agora, se Jesus assumiu toda a condição humana (com excessão do pecado), assumiu também a morte e, portanto, morreu de verdade. Seu lado humano morreu e, como é indissociável, seu lado divino também morreu!

    Isto significa que por 3 dias, entre a morte de cruz e a ressureição, a Santíssima Trindade foi uma Santíssima Díade? Quem souber responder comente por favor.

    Em tempo, depois de encontrado o evangelho apócrifo e agnóstico de Judas, alguém ainda vi querer malhá-lo? Aliás, ele morreu mesmo enforcado? Dê uma olhada em At 1, 18.

    E, para não perder a piada:

    "Nietzsche está morto." Deus.

    sexta-feira, abril 14, 2006

    sexta-feira santa

    quinta-feira, abril 13, 2006

    psicopata


    Este texto circula na internet já há algum tempo, mas continua sendo muito bom. Diz-se que faz parte de um famoso teste psicológico americano. Não se pode acreditar nas bobagens que nos mandam por e-mail, mas vá lá:


    Uma garota durante o funeral de sua mãe, conheceu um rapaz que nunca tinha visto antes. Ela achou o cara tão maravilhoso que acreditou ser o homem de sua vida. Apaixonou-se por ele, e começaram um namoro apaixonado que durou uma semana.

    Sem mais nem menos o rapaz sumiu e nunca mais foi visto desde aquele dia.
    Dias depois, ela matou a própria irmã.

    Questão: Qual o motivo da garota ter matado sua irmã?

    (Não desça até o final antes de ter pensado em uma resposta!)





























    Resposta:
    Ela esperava que o rapaz pudesse aparecer novamente no funeral de sua irmã.

    Se você acertou a resposta, você pensa como um psicopata. A maioria dos assassinos presos acertaram a resposta. Para um psicopata os fins justificam os meios.

    Se você errou, bom pra você... e para seus amigos.

    oleandros

    tríduo pascal

    A Páscoa é a data mais importante para o cristianismo. Não, não é o Natal, a festa de algum padroeiro ou o Pentecostes (embora Pentecostes esteja um tipo de Páscoa). Estas outras datas podem ser mais alardeadas, mas para um cristão festa boa é a Páscoa mesmo!

    Afinal, como dizia São Paulo (1 Cor 5,17), "se Cristo não ressuscitou, vã é a vossa fé".

    Na liturgia católica, após o deserto da Quaresma há uma única e longa celebração, conhecida como Tríduo Pascal, que começa hoje com a Ceia e o Lava-Pés, prossegue amanhã com a memória da Paixão e culmina na Vigília Pascal, noite de sábado para domingo.

    No mais, semana santa infelizmente possui algumas tradições que sinceramente eu não entendo. Os peixes e alimentos que alguns preparam na sexta-feira santa, por exemplo. Ficam muito melhores que qualquer carne! Pode ser abstinência de carne, mas não é jejum.

    Se for para celebrar, que seja coerentemente.

    bolsas, bíblias e borboletas




    Ao ver o post anterior, sobre bíblias e borboletas, minha esposa esclamou:

    - É a minha bolsa! Você fotografou a minha bolsa e colocou na internet!

    Ao que respondi:

    - Não, é uma Bíblia que tem uma capa com borbo... é mesmo! É igual a sua bolsa!

    Atendendo a milhares de pedidos, fotografei a bolsa e coloquei na internet.

    quarta-feira, abril 12, 2006

    o espírito do blog


    bíblias e borboletas

    Tem gente por aí vendendo Bíblia cuja capa estampada contém uma porção de borboletas. Tudo bem?

    Tudo bem nada! Esta gente que comercializa a fé a torto e a direito nem sabe direito o que está fazendo. Nada contra vender Bíblias, ao contrário. Mas conheça primeiro o produto que está colocando no mercado. Sabe quantas vezes a borboleta aparece na Bíblia?


    O texto abaixo responde esta pergunta e, de quebra, apresenta o silêncio monástico. O autor, Evaristo Eduardo de Miranda, é agrônomo, tem mestrado e doutorado em Ecologia na França e atualmeitnte é chefe da Central de Monoramento por Satélite da Embrapa. Mapeou todo o Brasil por satélite antes de qualquer Google Earth. E escreveu livros maravilhosos como "Corpo: Território do Sagrado" e "Animais Interiores".

    A fonte do texto é o site do Instituto Ciência e Fé, cujo link passar a constar aí ao lado.

    Vamos lá, quantas vezes a borboleta aparece na Bíblia?

    Falar ao Coração

    "Em todo o texto bíblico não há nenhuma menção as borboletas e mariposas. E olha que não faltam borboletas na Terra Santa. Porque nunca inspiraram profetas, salmistas e escribas com sua graça e beleza? Talvez devido a prática da meditação. A palavra hebraica para meditar significa textualmente: falar ao coração. Quem medita abandona as alturas pensantes e falantes da cabeça e desce ao silêncio do coração. Meditar, na tradição judaica e cristã, eqüivale a falar ao coração. Para Santo Inácio de Antioquia, se não pudermos compreender o silêncio de Cristo, nunca poderemos compreender as suas palavras.

    Não é fácil silenciar. O jejum das palavras é bem mais difícil que o das calorias. Silenciar implica numa busca da interioridade. Quando cala-se a boca, falam os pensamentos. A mente não pára de falar e atrapalha a meditação. A tradição monástica da Igreja começou no século IV com os chamados padres do deserto. Naquele tempo, quem queria meditar, aproximar-se de Deus e viver uma dimensão mística não ia para a Índia ou ao Tibete. Os buscadores iam para o deserto do alto Egito. Um dos fundadores desse movimento monástico foi Santo Antão, um Padre do Deserto, um pai do mosteiros cristãos.

    Esses monges ficavam impressionados como a mente continuava perturbando aqueles que desejavam silenciar todo o seu ser, para entrar em contato com o divino. Para superar essas dificuldades, inventaram várias técnicas de postura corporal e de atitude mental: as fórmulas. A fórmula era como um mantra, uma palavra que era repetida lentamente, de forma ininterrupta, até chegar-se à pobreza de espírito, tão necessária para quem deseja descansar em Deus e atingir os céus.

    A mística ébria de Deus, São Teresa de Jesus dizia: Pensar que entraremos nos céus sem entrar em nós mesmo... é desatino. Essa mestra da meditação, comparava o papel perturbador da memória e da imaginação para quem está meditando, às mariposas noturnas, inofensivas mas inoportunas: Como o intelecto (imaginação) em nada ajuda a memória, esta não pára em nada, andando de um lado para o outro, assemelhando-se a essas mariposinhas noturnas, importunas e irrequietas. Essa comparação me parece extremamente adequada, porque, ainda que não possam fazer mal, essas mariposinhas incomodam (Livro da Vida, cap. 17). Estaria aí, uma das explicações para a ausência das borboletas e mariposas do texto bíblico?"

    Evaristo Eduardo de Miranda

    terça-feira, abril 11, 2006

    + gibi


    O primeiro capítulo do mangá Adolf de Osamu Tezuka está online na Loja da Editora Conrad. Esta obra promete, vale a pena saborear as primeiras páginas.

    O site também oferece algumas boas promoções também: Coleção do Buda, do mesmo Tezuka, por 210 pilas e coleção Gen, o maior clássico dos mangás, por 60 pilas. Tem também o pacote dos livros da série Discworld, que dizem que é muito bom e pretendo comprar por 225 pilas. Se alguém quiser me dar de pásoa, aceito. Ou mesmo de Natal, ainda tá valendo....

    banco de horas e horas

    Assim falou Nietszsche: “De todo o escrito só me apraz aquilo que uma pessoa escreveu com seu sangue."

    Isto também deveria valer para os blogs. Veja o caso do poeta Domingos Pellegrini, cujo link encontra-se aí ao lado. Ontem ele deu voz de prisão ao gerente de um banco pois teve que ficar na fila quase meia hora (só não ficou mais pois foi buscar a PM) quando há um a lei recente (de autoria do deputado Tadeu Veneri - PT) que afirma que o cliente tem o direito de esperar até 15 minutos (ou 30 em dias movimentados), não mais que isto. Leia a notícia na Gazeta do Povo Online.

    Três aspectos positivos que podem ser destacados:

    1.º O caráter didático de sua manifestação. Nem todo mundo sabe que todo mundo pode dar voz de prisão perante percepção de um crime. Agora mais gente sabe.

    2º Alguém levantando a voz contra os exorbitantes e indecentes lucros dos bancos e a ausência de um atendimento razoável.

    3º Uma poesia escrita com sangue:

    O centro

    Em cada quadra um cuidador de carro
    em cada esquina um circo misturado
    com feira-livre, e no sinal fechado
    te oferem de riso até cigarro

    Na praça um pregador é escutado
    apenas por um cão, e entre catarros
    um deus que se reduz a pés de barro
    refina no caos do trânsito apressado

    Dá pra sentir o cheiro de ganância
    emanando dos bancos, e das filas
    e fedor fóssil da resignação

    Camelô faz avô virar criança
    comprando trecos, e o pai de família
    crê na malandra que lhe lê a mão...

    Domingos Pellegrini

    o ruim entra, o bonsai



    arvorezinha
    a arte do bonsai quanto maior
    mais pequenininha



    é foda
    um pé de cedro vai
    dependendo do tamanho da poda
    da bandeira do Líbano ao bonsai

    Leandro Kruszielski

    segunda-feira, abril 10, 2006

    gibiteca



    Ainda não conhece a Gibiteca de Curitiba, a primeira do país?!
    Leia o melhor da nona arte de grátis e prestigie a cultura curitibana!

    quadrinhos

    Quem gosta de ler histórias em quadrinhos, tambémconhecidascomo HQ, não pode se queixar da diversidade de boas opções no mercado editorial brasileiro. Muita coisa boa por aí.

    Eu disse que não pode se queixar da diversidade. Do preço pode. Depois que os bons quadrinhos deixaram um pouco de lado as banquinhas de revistas e passaram a habitar as livrarias, a qualidade gráfica melhorou, passaram a ser chamados de grafic novels e o preço foi lá em cima. É justo, pois eles não ficam apenas um mês em cartaz e ganharam o devido respeito. Mas é caro.

    Falando no diabo do respeito, já era tempo dos quadrinhos serem levados a sério pela mídia. Serem considerados como (nona) arte e não apenas diversão despretenciosa para crianças/adolescentes/piás pançudos. Nem como sinônimo de super-heróis com roupas coladinhas, músculos e roteiros previsíveis.

    O aumento da qualidade e da seriedade dos quadrinhos está relacionado a (re)publicação de grande clássicos que, ou nunca passaram pelo Brasil, ou recebem só agora edições a altura. Falo de Corto Maltese, Buda, Maus, V de Vingança, Persépolis e outros.

    Mas em especial de um bom quadrinho que ainda pode se encontrar nas bancas: Lobo Solitário. É a história de um ronin que no japão medieval busca a recuperação de sua honra junto com seu filho pequeno de três anos.


    De solitário o Lobo não tem nada. É um erro de tradução. O título foi traduzido do inglês, Lone Wolf, mas em japonês equivale a Lobo e seu Filhote. Assim como o Cavaleiro Solitário, mal traduzido aqui como Zorro, que também de solitário não tinha nada pois seu amigo, o índio Tonto, sempre o acompanhava. Usando pistolas com balas de prata, era um cowboys que, pela íntima presença de seu fiel escudeiro, é possível dizer que antecedeu "O Segredo de Brokeback Montain". A confusão dele foi feita com o verdadeiro Zorro, este sim solitário e o que marcava um Z com sua espada.

    Mas voltando ao Lobo Solitário, é leitura altamente recomendada. Excelente roteiro, pioneiro na utilização de
    flashbacks em mangá. Desenho compentente, saídas visuais para contar uma boa história impecáveis. Cronologia que aocmpanha o avanço real da natureza e dos personagens: à medida em que as estações passam e se mostram no mangá, o filho do Lobo Solitário fica mais velho e mais maduro e a trama aumenta de complexidade e envolvimento.

    Está dada a dica. Se for gastar o seu dinheiro, gaste bem.

    domingo, abril 09, 2006

    simbiose

    sexta-feira, abril 07, 2006

    oleandros

    que a força esteja com você

    quinta-feira, abril 06, 2006

    liras de amor através dos tempos

    Essa é velha mas é boa.


    Anos 10 - Ele de terno, colete e cravo na lapela, embaixo da janela dela, canta:

    "Tão longe, de mim distante, onde irá, onde irá teu pensamento?
    Quisera saber agora se esqueceste, se esqueceste o juramento.
    Quem sabe se és constante, se ainda é meu teu pensamento
    e minh'alma toda de fora, da saudade, agro tormento!"

    Anos 20 - Ele de terno branco e chapéu de palha, embaixo do sobrado em que ela mora, canta:

    "Ó linda imagem, de mulher que me seduz!
    Ah, se eu pudesse tu estarias num altar!
    És a rainha dos meus sonhos és a luz, és
    malandrinha, não precisas trabalhar."

    Anos 30 - Ele de terno cinza e chapéu panamá, em frente à vila onde ela mora, canta:

    "Tu és, divina e graciosa, estátua majestosa!
    Do amor por Deus esculturada.
    És formada com o ardor da alma da
    mais linda flor de mais ativo odor,
    que na vida és preferida pelo beija-flor"

    Anos 40 - Ele ajeita seu relógio Pateck Philip na algibeira, escreve para a Rádio Nacional e manda oferecer a ela uma linda música :

    "A deusa da minha rua, tem os olhos onde a lua,
    costuma se embriagar.
    Nos seus olhos eu suponho, que o sol num dourado
    sonho, vai claridade buscar"

    Anos 50 - Ele pede ao cantor da boate que ofereça a ela a interpretação de uma bela bossa:

    "Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça.
    É ela a menina que vem e que passa,
    no doce balanço a caminho do mar.
    Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema.
    O teu balançado é mais que um poema.
    É a coisa mais linda que eu já vi passar."

    Anos 60 - Ele aparece na casa dela com um compacto simples embaixo do braço, ajeita a calça Lee e coloca na vitrola uma música papo firme:

    "Nem mesmo o céu, nem as estrelas, nem mesmo o
    mar e o infinito não é maior que o meu amor nem mais bonito,
    Me desespero a procurar alguma forma de lhe falar,
    Como é grande o meu amor por você"

    Anos 70 - Ele chega em seu fusca, com tala larga, sacode o cabelão, abre a porta pra moça entrar e bota uma melô jóia no toca-fitas Roadstar:

    "Foi assim, como ver o mar. A primeira vez que
    os meus olhos, se viram no teu olhar,
    Quando eu mergulhei no azul do mar, sabia que
    era amor e vinha pra ficar..."

    Anos 80 - Ele telefona pra ela e deixa rolar um som:

    "Fonte de mel, num olhos de gueixa, Kabuki, máscara.
    Choque entre o azul e o choque de acácias,
    Luz das acácias, você é mãe do sol."

    Anos 90 - Ele liga pra ela e deixa gravada uma música, na secretária eletrônica:

    "Bem que se quis, depois de tudo ainda ser
    feliz, mas já não há caminhos pra voltar. E o que é que a vida fez da nossa vida? O que é que a gente não faz por amor? "

    Anos 2000 - Ele captura na internet um batidão legal e manda pra ela, por e-mail:

    "Piririm, piririm, piririm
    Alguém ligou pra mim

    Piririm, piririm, piririm
    Alguém ligou pra mim , Quem é?
    Sou eu Bola de Fogo

    E o calor ta de matar

    Vai ser na praia da Barra

    Que uma moda eu vou lançar

    Vai me enterrar na areia?

    Não, não vou atolar

    Vai me enterrar na areia?

    Não, não vou atolar"

    garrincha, a burrice única e as inteligências múltiplas

    O texto abaixo escrevi no formato de artigo de divulgação científica para servir de modelo a um trabalho que solicitei aos meus alunos de Psicologia Cognitiva. Aproveitei para revisitar um fantasma, um material antigo sobre Inteligências Múltiplas que até hoje circula na internet e me valeu a única citação que conheço realizada a partir de um texto meu.

    Taí:

    É tempo de Copa do Mundo. Entre bonés e camisetas verde-amarelos, aumento da venda de televisores e bichinhos de pelúcia com o uniforme da seleção, sempre reaparecem nesta época as histórias das copas antigas. Entre as várias histórias, destaca-se uma com íntima relação com a compreensão que se tem da inteligência de acordo com cada época.

    Em 1958, foi convocado pela Confederação Brasileira de Futebol para a Copa da Suécia, além de grupo de jogadores que incluíam Pelé e Garrincha, um dos pioneiros da Psicologia do Esporte no Brasil: João Cavalhaes. A função do psicólogo era mudar o perfil do jogador brasileiro. Todo atleta precisaria deixar de ser nostálgico, emotivo e temperamental, mas deveria ser capaz de suportar as pressões e cobranças presentes em um campeonato de tão grande porte.

    Para conseguir esta façanha, João Carvalhaes começou realizando uma avaliação em todos os jogadores, que incluía uma avaliação da inteligência. Avaliar a inteligência em 1958 significava aplicar um tradicional teste de QI (Quociente Intelectual).

    Garrincha, que estava no apogeu de sua carreira, após responder os testes ficou sabendo que seu Quociente Intelectual era irrisório, sendo classificado como débil mental. Por este motivo quase foi impedido de participar da Copa. Só conseguiu permanecer devido a um apelo de seu colega, o quarto-zagueiro Nilton Santos:

    - Olha, doutor, está aí fora um sujeito que talvez não seja capaz de acertar o mais fácil desses testes. É o Garrincha. Por favor, doutor, tenha paciência com ele. Mesmo que erre tudo, aprove-o. Aprove-o, doutor, pois nós vamos precisar muito dele nesta Copa.

    Felizmente o psicólogo o ouviu e o Brasil conseguiu sua primeira conquista em Copas do Mundo.

    Ninguém duvida do talento que possuía Garrincha quando se encontrava no meio de um gramado com a bola nos pés. Todavia, o teste psicométrico de inteligência indicava Garricha como uma pessoa sem grandes chances de ser bem sucedido em sua vida profissional. O que não correspondeu à realidade. Fica claro o quanto esta noção de inteligência, fortemente atrelada ao desempenho escolar, muitas vezes não faz juz à realidade.

    No entanto, a visão da inteligência humana pode ser diferente. Uma das teorias mais influentes sobre a inteligência hoje vem de Howard Gardner, psicólogo e professor norte americano. A novidade dentro da teoria de Gardner é considerar a inteligência (a capacidade de resolver problemas) como possuindo várias facetas. Tais facetas (que na verdade são talentos, capacidades e habilidades mentais) são chamadas de “inteligências”, no plural. Por isto sua teoria é, com razão, chamada de teoria das Inteligências Múltiplas.

    Os testes tradicionais de QI medem apenas as capacidades lógica e lingüística, capacidades que normalmente são as únicas exigidas e avaliadas pelas escolas e, sem dúvida, as capacidades mais valorizadas em nossa sociedade. Gardner pretende considerar também as outras capacidades, as outras "inteligências" menos lembradas, para analisá-las em sua teoria.

    São basicamente sete inteligências em sua teoria: a lógico-matemática (capacidade lógica e de raciocínio científico), lingüística (capacidade do uso da linguagem, seja ela escrita, falada ou através de outro meio), musical (reconhecimento de padrões de tons, incluindo sons do ambiente, e sensibilidade para ritmos e batidas), corporal-cinestésica (movimento físico e o conhecimento do corpo), espacial (capacidade de formar imagens mentais e manipulá-las), interpessoal (habilidade de trabalhar cooperativamente com outros num grupo) e intrapessoal (relacionada aos estados interiores do ser, à auto-reflexão, à metacognição).

    Garrincha sem dúvida não possuia nenhum destaque nas inteligências lingüística e lógico-matemática. Teria dito durante a comemoração da conquista dessa Copa: "Campeonatinho mixuruco, nem tem segundo turno!" No entanto, o craque das pernas tornas foi um verdadeiro gênio da inteligência corporal-cinestésica. Inteligência esta que passou desapercebida pela avaliação psicológica da época.

    Vale lembrar ainda que, segundo a teoria de Gardner, as inteligências agem de forma integrada. Um alto nível de capacidade na inteligência corporal-cinestésica apenas, por exemplo, não asseguraria a ninguém um sucesso como jogador de futebol. Seria necessário também um bom desenvolvimento da inteligência espacial para realizar bons passes e chutes a gol e também inteligência interpessoal desenvolvida para um bom relacionamento com os companheiros, os adversário e a imprensa. Estas três inteligências agindo de forma integrada provavelmente possibilitariam uma maior chance de sucesso no esporte. Todavia não seria necessário, neste caso, um bom desempenho da inteligência lógico-matemática, por exemplo, com bem demonstrou Garrincha.

    Quantos jogadores de nossa seleção atual alcançariam um bom desempenho em uma avaliação de inteligência? Em uma perspectiva tradicional, não se sabe. Agora, se inteligência é a capacidade de resolver problemas e o problema é superar as melhores equipes de mundo sem Garrincha, Pelé e companhia... esperamos que todos.

    o espírito do blog


    piaget fala sobre neuropsicologia


    Anotei esta citação há alguns anos, achando que um dia ela seria útil. Até hoje não foi. Nunca usei em lugar nenhum, mas isto não faz deixa de fazer dela uma excelente citação.

    Piaget, em mil novecentos e bolinha já comenta das vantagens do que se tornaria décadas mais tarde a neuropsicologia. Se a citação lhe servir, faça bom proveito:


    “poder-se-á perguntar se não seria vantojoso deixar ao neurologista o cuidado de determinar as coordenações fisiológicas em causa, fornecendo-lhe simplesmente, para esse efeito, uma análise das condutas, tão detalhada quanto possível e na linguagem não da consciência mas das 'operações', isto é, da ação. Quando os dois métodos convergirem obter-se-á, sem dúvida, uma segurança muito maior do que querendo antecipadamente tapar os buracos da neurologia mediante uma psicologia bem preparada demais para prestar-lhe esse serviço, ou tapar os buracos da psicologia mediante uma neurologia que, apesar de tudo, também é dócil, como a mostra, entre outras coisas, a história das idéias relativas à localizações cerebrais.”

    PIAGET, J. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem e representação. 2.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1975, p.106