meandros

quarta-feira, abril 12, 2006

bíblias e borboletas

Tem gente por aí vendendo Bíblia cuja capa estampada contém uma porção de borboletas. Tudo bem?

Tudo bem nada! Esta gente que comercializa a fé a torto e a direito nem sabe direito o que está fazendo. Nada contra vender Bíblias, ao contrário. Mas conheça primeiro o produto que está colocando no mercado. Sabe quantas vezes a borboleta aparece na Bíblia?


O texto abaixo responde esta pergunta e, de quebra, apresenta o silêncio monástico. O autor, Evaristo Eduardo de Miranda, é agrônomo, tem mestrado e doutorado em Ecologia na França e atualmeitnte é chefe da Central de Monoramento por Satélite da Embrapa. Mapeou todo o Brasil por satélite antes de qualquer Google Earth. E escreveu livros maravilhosos como "Corpo: Território do Sagrado" e "Animais Interiores".

A fonte do texto é o site do Instituto Ciência e Fé, cujo link passar a constar aí ao lado.

Vamos lá, quantas vezes a borboleta aparece na Bíblia?

Falar ao Coração

"Em todo o texto bíblico não há nenhuma menção as borboletas e mariposas. E olha que não faltam borboletas na Terra Santa. Porque nunca inspiraram profetas, salmistas e escribas com sua graça e beleza? Talvez devido a prática da meditação. A palavra hebraica para meditar significa textualmente: falar ao coração. Quem medita abandona as alturas pensantes e falantes da cabeça e desce ao silêncio do coração. Meditar, na tradição judaica e cristã, eqüivale a falar ao coração. Para Santo Inácio de Antioquia, se não pudermos compreender o silêncio de Cristo, nunca poderemos compreender as suas palavras.

Não é fácil silenciar. O jejum das palavras é bem mais difícil que o das calorias. Silenciar implica numa busca da interioridade. Quando cala-se a boca, falam os pensamentos. A mente não pára de falar e atrapalha a meditação. A tradição monástica da Igreja começou no século IV com os chamados padres do deserto. Naquele tempo, quem queria meditar, aproximar-se de Deus e viver uma dimensão mística não ia para a Índia ou ao Tibete. Os buscadores iam para o deserto do alto Egito. Um dos fundadores desse movimento monástico foi Santo Antão, um Padre do Deserto, um pai do mosteiros cristãos.

Esses monges ficavam impressionados como a mente continuava perturbando aqueles que desejavam silenciar todo o seu ser, para entrar em contato com o divino. Para superar essas dificuldades, inventaram várias técnicas de postura corporal e de atitude mental: as fórmulas. A fórmula era como um mantra, uma palavra que era repetida lentamente, de forma ininterrupta, até chegar-se à pobreza de espírito, tão necessária para quem deseja descansar em Deus e atingir os céus.

A mística ébria de Deus, São Teresa de Jesus dizia: Pensar que entraremos nos céus sem entrar em nós mesmo... é desatino. Essa mestra da meditação, comparava o papel perturbador da memória e da imaginação para quem está meditando, às mariposas noturnas, inofensivas mas inoportunas: Como o intelecto (imaginação) em nada ajuda a memória, esta não pára em nada, andando de um lado para o outro, assemelhando-se a essas mariposinhas noturnas, importunas e irrequietas. Essa comparação me parece extremamente adequada, porque, ainda que não possam fazer mal, essas mariposinhas incomodam (Livro da Vida, cap. 17). Estaria aí, uma das explicações para a ausência das borboletas e mariposas do texto bíblico?"

Evaristo Eduardo de Miranda

3 Comments:

  • a mariposa citada na Bíblia em nada tem a ver com borboleta. vc só enrolou o texto todo e não falou sobre o verdadeiro significado Cristão da borboleta.

    By Anonymous Anônimo, at 1:40 AM  

  • concordo

    By Blogger jueed, at 6:45 PM  

  • Também concordo

    By Anonymous Anônimo, at 2:05 AM  

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