meandros

quarta-feira, junho 07, 2006

ítica na polética ou ética na política?



- Que pouca vergonha esses políticos! O povo merece os políticos que tem, quem manda votar errrado?

- Em quem o senhor votou nas últimas eleições?

- Bom, eu votei no Lula.

- Sim, mas e quanto ao voto para deputado federal, estadual, vereador...

- Ah, não lembro.

- E então?!

- Mas eu sei que só votei em cabra bom.

Diz-se que o Brasil tem memória curta. Não há como discordar, principalmente no tangente à cultura política. Mensalão, sanguessugas, apoio e rechaçamento à quebradeira de sem-terras, sempre há muito assunto ocorrendo em Brasília. Muita informação para ser lembrada.

Assim é natural o esquecimento, em especial se existe decepção com o que o leitor esperava de determinado político ou partido.

Vejamos superficalmente a questão partidária.

O partido da marketing da ética (leia-se PT) é acusado justamente de corrupção. Os neo-partidos de esquerda (leia-se PSOL e PSTU) querem uma democracia nem que seja à força, afinal sabem o que é melhor para o povo melhor que o próprio povo. Os velhos partidos de esquerda (leia-se PC do B e similares) já não sabem mais a que vieram. Os partidos das velhas raposas (leia-se PFL e PSDB) posam de bons moços ignorando todo seu passado nebuloso. E todos os outros partidos (leia-se todos os outros partidos) não tem cara nenhuma. Sobrou o quê, o PV?

E agora, vale a verticalização ou não? Coliga-se com quem?

Sabe o quê?

Esqueça.


Mas o pior de tudo isso é que não apenas a memória a longo prazo (ou mesmo a curto prazo) que anda prejudicada. Mas também a memória prospectiva, a memória do futuro.

Esta categoria mnêmica refere-se ao planejamento, ao lembrar-se do que se deve fazer, tal qual uma agenda mental. A que horas devo tomar o remédio?

E aí me perguntaram esses dias para uma pesquisa eleitoral (finalmente, estas pesquisas existem mesmo!) sobre minhas intenções de voto para as próximas eleições.

Descobri que eu, que me gabava de não só lembrar em quem votei mas de acompanhar -ainda que de longe - a atuação dos meus políticos, não tenho uma boa memória prospectiva. Minhas intenções de voto ficaram ou furadas ou um mosaico inexplicável.

Lamentável. Não sabemos o que fomos. O que somos. E para onde vamos. Em suma é um problema de falta de identidade. Falando nisso, onde foi que deixei a minha?

4 Comments:

  • muito bom esse post!

    sei não, mas temos que ver o quanto o PT foi corrupto, e o quanto a mídia brasileira dominante massacrou o PT no último ano. A mídia dominante nunca gostou desse partido; não seria nesse mandato que iria gostar. É só ver o estardalhaço de ligar aquela invasão irresponsável de um movimento de manobra (o tal de MLST) ao PT, e de NÃO ligar as revoltas dos bandidos em São Paulo ao governo de Alckmin.

    Não se trata de dizer que não houve corrupção no PT; mas generalizá-la é um artifício a q estamos expostos desde o ano passado... sem contar que não vemos NADA dos partidos de direita. Será pq eles repentinamente ficaram santos?

    By Anonymous catatau, at 10:36 AM  

  • Concordo.

    Com diz a minha vó... ninguém é santo.

    Meu voto, acho, ainda vai pro PT na maioria dos casos. Mas já não dá para vestir a camisa vermelha, colocar um broche de estrela, etc. Aí já é passar vergonha.

    O Chico Buarque até comentou esses dias que nunca a mídia massacrou tanto um presidente (com excessão do Collor). O mais interessante de tudo é que a população de modo geral não está nem aí para as críticas.

    By Blogger Leandro, at 4:50 PM  

  • Após apoiar a eleição de Sarney para a presidência do Senado, em janeiro deste ano, voltando-se contra o próprio partido, o presidente Lula, novamente, aliou-se a Sarney, agora para eleger vergonhosamente o ex-presidente Fernando Collor para importante cargo no Senado e novamente desferir um golpe contra o PT.

    Esta aliança em torno de Collor – o presidente corrupto que nem chegou a completar seu mandato, sofrendo um processo de impeachment —uniu, mais uma vez, Lula ao que há de mais corrupto e atrasado na política brasileira, ligando-o não só a Collor, como também a Sarney, o “rei do Maranhão” e Renan Calheiros, que há um ano escapou da cassação de seu mandato após um golpe de bastidores que escandalizou todo o país.

    Aliar-se a Sarney, Renan e Collor já demonstra o quanto Lula compromete-se com os interesses da burguesia, das oligarguias retrógradas e do grande capital. No entanto, o apoio de Lula a Collor ocorreu, novamente, contra o próprio PT, o Partido dos trabalhadores, pois o candidato rival de Collor era a senadora Ideli Salvatti do PT.

    Collor assumirá a comissão de infra-estrutura do Senado, responsável pela aprovação do orçamento do PAC —o carro-chefe de Lula! Questionado se o resultado era uma “volta por cima”, Collor afirmou que se tratava de uma “volta com os pés no chão”. Se, no caso de Sarney, Lula não se manifestou publicamente, desta vez declarou que não foi uma “surpresa” e que “[vamos] fazer disso uma boa salada”.

    O resultado destas eleições de Sarney e Collor mostra o aprofundamento da crise política que vive a burguesia no Brasil, crise clara desde 2005, quando preferiu conservar Lula a pedir seu impeachment apesar de toda a lama do mensalão. Por outro lado, mostra como Lula distancia-se do PT e governa sem ele, mostra como Lula trai e trai o partido que o conduziu ao poder.

    A MORTE DO PT... leia artigo completo aqui: http://www.movimentonn.org/noticia.php?id=1321

    By Anonymous Anônimo, at 12:47 PM  

  • By Anonymous Anônimo, at 3:28 PM  

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