meandros

quinta-feira, agosto 31, 2006

déjà-vu

Clique na imagem (duas vezes) para visualizar melhor.


Não entendeu? É porque você não viu o filme.
Veja.

quarta-feira, agosto 30, 2006

meandros


Do rio que tudo arrasta, se diz que é violento.
Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.

Bertolt Brecht

terça-feira, agosto 29, 2006

hilário eleitoral gratuito

Você lembra em quem votou nas últimas eleições? E você lembra para que você votou na primeira eleição, para quem foi seu primeiro voto?

Eu lembro bem. Eu tinha 10 anos de idade (isto mesmo, 10!) e foi na clássica eleição para presidente de 1989. Como eu sempre acompanhava todos os horários políticos, assistia a todos os debates, procurava me interar do assunto e torcia tal qual uma grande gincana, não pude deixar de acompanhar meu pai na hora de votar. Atrás da cabine, em frente à urna ele me disse:

- Pode fazer um "X" em quem você quiser.

Na época a urna não era uma metáfora, era uma urna. E votar era fazer um "X" na cédula com uma porção de opções. Eu fiz um "X".

Imagino que meu pai permitiu isso por duas razões:
  1. Pelo meu interesse e acompanhamento por toda a campanha e
  2. Porque ele sabia que eu votaria no mesmo canditado que ele.

Bom, vou fazer uma confissão. Meu primeiro voto foi para... o Collor. Mas é claro, ele se saía melhor nos debates, seu programa na televisão era o melhor e tinha até aquele trenzinho feito em computação gráfica!

Depois a vida me ensinou duas grande lições:
  1. Não vote em quem tem o program de televisão mais legal e
  2. O voto não deve ser permitido para crianças de 10 anos.

O fato é que nunca deixei de gostar de assistir aos debates e aos programas eleitorais. Continuam sendo muito divertidos e, infelizmente, uma grande gincana.

Viajando para Santa Catarina e assistindo ao programa eleitoral gratuito de lá, duas coisas me chamaram a atenção:
  1. Uma canditada a deputada estadual que possui o discurso idêntico (idêntico mesmo!) a uma candidata do Paraná, algo como: "A cada 15 minutos uma mulher é sofre violência no Brasil. Como representante das mulheres...." e
  2. Um canditado ao senado com o programa mais inteligente e criativo que vi até hoje. Se eu votasse em SC e não tivesse aprendido uma lição votaria para ele.
Segue o vídeo deste cantidato ao senado: HULK e a linguagem das HQ´s no hilário eleitoral gratuito (como diz o macaco Simão)...


segunda-feira, agosto 28, 2006

dúvida, dívida e desencontros


Tira do Adão Iturrusgarai. (Aliás, o seu site é bem legal.)


Charge do Fernandes.

E a frase do poeta:

A vida é a arte do encontro.
Embora haja tanto desencontro pela vida.

Vinícius de Morais

meandros

Do blog Metamorfose Pensante, com a cara do blog meandros. Deve ter algum poeta perdido por aí.


Nos meandros das idéias

No inusitado das palavras
Na simplicidade das coisas
E lá que está o poeta.

Ele está no pulsar do coração
No ar invadindo o corpo
No olho piscando aos primeiros raios de Sol

Ele está onde canta o pássaro
Onde o amor começa
Lá onde o sábio fala

As palavras estão no mundo...
... esse mundo que está no poeta.

Marcela Ortolan

domingo, agosto 27, 2006

psi

A tempo, 44 anos atrás a Psicologia era regulamentada como profissão no Brasil. Hoje comemoramos o dia do psicólogo.

Aproveito a ocasião para parabenizar os colegas e renovar meu juramento.



Como psicólogo, eu me comprometo a colocar minha profissão a serviço da sociedade brasileira, pautando meu trabalho nos princípios da qualidade técnica e do rigor ético. Por meio do meu exercício profissional, contribuirei para o desenvolvimento da Psicologia como ciência e profissão na direção das demandas da sociedade, promovendo saúde e qualidade de vida de cada sujeito e de todos os cidadãos e instituições.

Bom, já é bastante coisa. E você, se compromete com o quê?

quinta-feira, agosto 24, 2006

pró-crastinação

Atendendo a milhares de pedidos.


Adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...

Álvaro de Campos

quarta-feira, agosto 23, 2006

meandros

Charge do Allan Sieber feita especialmente para o blog meandros.
Mentira, a indústria brasileira de quadrinhos nem é milionária...

terça-feira, agosto 22, 2006

relação

Revisitei um texto de uns cinco anos atrás sobre um dos livros que mais me influenciaram e resolvi re-escrevê-lo. Eis o resultado.

Eu te conhecia só de ouvir, agora meus olhos te viram.
Jó 42, 5


Se Deus é bom, por que existe o sofrimento humano? Da busca por esta resposta surgiu do antigo povo de Israel o livro de Jó.

Sem querer individualizar um livro de coletividade, em Jó é possível comparar a relação da humanidade com o sagrado com as relações humanas amorosas. Pois bem, no início de um namoro, por exemplo, a paixão é uma lente com a propriedade de minimizar os defeitos da pessoa amada e maximizar suas qualidades. Mais tarde, deixando lugar para o amor, tal lente vai perdendo força e uma relação mais consolidada e realista acontece (caso a relação não possua miopia, hipermetropia ou astigmatismo). Assim, tal qual em uma relação amorosa, a concepção de Deus também parece estar associada com a qualidade de relação da humanidade com esta divindade.

O povo de Israel aprendeu a ver a presença divina na história e a transmiti-la oralmente e, mais tarde, em registros escritos. Daí nasceu o Antigo Testamento. No livro de Jó –verdadeira pérola do Antigo Testamento- é possível então ler duas maneiras da manifestação divina em relação à questão do sofrimento, de acordo com a época em que foram escritas e, portanto, da maturidade do povo em relação ao sagrado.

A primeira maneira de entender Deus no livro de Jó é chamada de “Teologia da Retribuição” ou “Teologia da Prosperidade” e é parecida com a paixão: simples, intensa e ingênua. Realmente é a parte mais agradável e fácil do livro. Trata-se dos dois primeiros capítulos (1,1 – 2,13) e dos últimos versículos do livro todo (42, 7-17). Escrito em prosa, é uma história completa que apresenta um Jó bastante passivo e conformista que, após descobrir que além das alegrias, o sofrimento também provém de Deus, aceita tudo com paciência e resignação. Deus então o recompensa pela sua atitude dando-lhe em dobro o que havia perdido.

Fica nítida a imagem nestes trechos antigos do livro que os ricos, detentores de posses e saúde foram abençoados por Deus e que os pobres estão recebendo o castigo merecido em sua miséria, doença e dor. Ser fiel a Deus significava seguir seus mandamentos para, assim, ser abençoado com posses e saúde. Este era o ensinamento popular daquele tempo em que o livro foi escrito. Daquele tempo? Acrescente “encostos” como origem de todos os males e episódios de euforia coletiva que teremos, então, boa parte da manifestação religiosa atual no Brasil.

Contudo, os outros capítulos do Livro de Jô escritos posteriormente, agora em verso, mostram um Jó bastante diferente. Questionador e crítico (como os que amam de verdade), Jó rebate as intervenções realizadas pelos seus “amigos” que apresentam argumentos pró-“Teologia da Prosperidade”. Não aceita que o mal venha de Deus, mas sim da má administração dos poderosos (reis, governantes, nobres, capatazes). O autor sagrado não pretende difundir a teologia em voga, mas questioná-la, mostrando que o relacionamento do povo com Deus já estava diferente...

Na cultura judaico-cristã, Deus mostra-se maior do que é possível imaginá-lo. Ele se dá a conhecer e seu conhecimento é gradual, tal qual em qualquer relacionamento. Pergunto se houve hoje um retrocesso, esquecendo-se desta postura mais íntima com o sagrado, sem a intenção de trocas comerciais e a garantia de sucesso.

Independente das origens do sofrimento, como o cristianismo prosseguirá? Deus será feito como um comerciante que deve ressarcir as perdas e pagar pelos atos de caridade (esperando logo a devolução em dobro que Jó recebeu ao final da história) ou como um companheiro de viagem no caminho incerto mas cujo destino será seu Reino?

segunda-feira, agosto 21, 2006

definição

Um poeminha muito vagabundo, que não quer saber de trabalhar.

postergar é assombrar-se no escuro
com os fantasmas que trazem o futuro

poltergeist, o fenômeno bizarro
de matar o tempo, cada vez mais raro

encontrar uma palavra amiga
pra continuar empurrando com a barriga

domingo, agosto 20, 2006

de onde vem as idéias?

Numa época como esta, em que os ipês amarelos colorem as ruas e as calçadas, escrevi o seguinte hai kai:

flores de ipê
só sujeira amarela
que alguém vê



Como havia surgido a idéia destes simples versos? Ao ver a beleza das flores de ipê no chão lembrei do meu avô que não quis plantar estas árvores porque faziam muita sujeira.

Foi assim? Não. Eu achava que tinha sido assim. Eis que reencontro um velho texto do Rubem Alves em que ele a uma certa altura afirma a mesma coisa.

A idéia tinha sido do Rubem Alves. Eu a tinha lido na época e concordado, peguei-a para mim. Depois utilizei-a e não lembrei da fonte, orgulhoso da boa idéia que acabara de ter.

Existem idéias originais?

Segue o artigo original do Rubem Alves, publicado na Folha de S. Paulo em 26/10/94 no caderno sinapse:

A complicada arte de ver

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver"

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...

Rubem Alves

sábado, agosto 19, 2006

e-meio de comunicação

Clique (duas vezes) na imagem para visualizá-la melhor.


O mesmo vale para a Rádio Educativa. Na época do Jaime Lerner, o governador não dava a mínima para estes meios de comunicação estatais e, provavelmente por isso, eles tinha uma boa liberdade de criação e eram excelentes.

Sob pretexto de investir nestes meios, o Requião transformou o rádio e a TV Educativa em palanque. Foi-se embora uma boa rádio, que decaiu na programação.

O que é bom dura pouco. Hoje até a Lumen FM, baluarte de excelente programação musical no dial curitibano, mudou. E pra pior.

Viva o CD e o DVD!

sexta-feira, agosto 18, 2006

meandros


Uma logo que encontrei na internet.
Gostei e achei que combina com o blog.


E daí? E daí nada.

quinta-feira, agosto 17, 2006

e e e ê... casa estrela, o o o ô... boi fubá

Você conhece seus vizinhos?

Folheando a Gazeta do Povo de ontem deparei-me com a foto de uma casa antiga. "Olha só, parece aquele casarão abandonado do lado de casa", foi meu pensamento automático. E era!

O casarão caindo aos pedaços, fui então descobrir, é a "Casa Estrela", construída nos anos trinta pelo perito contador Augusto Gonçalves de Castro em suas horas de folga. Em formato de estrela, a casa não tem nenhum ângulo reto, apenas encaixes artesanais e foi construída em quatro anos apenas com conhecimentos amadores, um lampião, um serrote de 20 cm feito em casa e um ajudante!


A casa possui um formato de estrela pois seu construtor era seguidor da Teosofia (um sistema místico e esotérico do séc. XIX que serviu para inspirar os sistemas místicos e esotéricos do séc. XX, que não serviram para nada) e entusiasta do Esperanto (língua artificial cuja finalidade principal parece ser reunir os praticantes do Esperanto). Como a estrela era um dos símbolos comuns, principalmente no Esperanto, foi adotada como ponto de partida para a construção da casa.

Curioso é que o nome da rua onde fica a casa é Zamenhof, o nome do criador do esperanto. E, provavelmente não por acaso, do outro lado da rua Zamenhof fica a loja Teosófica Paraná.

No Google Earth é possível perceber o telhado em forma de estrela, conforme consta na imagem e nas coordenadas 25°25'10.78"S 49°15'41.11"W.

O fato é que uma construção tão particular está de pé a quase 80 anos e nenhum arquiteto ou engenheiro hoje teria coragem de projetar algo semelhante.

A notícia da Gazeta, afirmava que, após todo uma novela para preservar este patrimônio (uma das 20 Unidades de Interesse de Preservação de Curitiba) que pode ser conferida aqui, aqui e aqui (com mais fotos da casa), finalmente havia sido acertada uma doação para PUC-PR e a casa seria transladada para o Prado Velho, peça por peça. Mas isto já havia sido combinado há muitos meses e nada era feito.

Pois bem, hoje a casa começou a ser desmontada e, conforme é possível conferir na foto, já está sem o telhado.

A vida é assim. Quando comecei a conhecer a vizinhança ela foi embora.

quarta-feira, agosto 16, 2006

meandros

O que é uma sinuosidade de rio que permite a passagem da luz?


Depois da gordura trans, meandros trans.

terça-feira, agosto 15, 2006

the bat

Peço um desconto já que é a primeira vez que faço uma charge política com caricatura. Os desenhos ficaram tão parecidos que quando mostrei a caricatura do Lula para a Adriana ela disse:

- Já sei quem é! Ficou igualzinho o teu tio!

Bom, então eu coloquei legendas.

Vai entender a piada (é para ser uma piada) quem viu o debate ontem na band.

Clique na imagem para visualizar melhor.



segunda-feira, agosto 14, 2006

o bucho do céu

Aí vai um bom texto do poeta e repentista Zé Da Luz, que ficou famoso na interpretação do Cordel do Fogo Encantado:


Ai se sesse

Se um dia nós se gosta-se
Se um dia nós se quere-se
Se nós dois se emparea-se
Se jutim nós dois vive-se

Se jutim nós dois mora-se

Se jutim nós dois drumi-se

Se jutim nós dois morre-se

Se pro céu nós assubi-se
Mas porém se acontece-se
de São Pedro não abri-se

A porta do céu e fosse
te dizer qualquer tolice

E se eu me arrimina-se

E tu com eu insinti-se

Prá que eu me arresouve-se

E a minha faca puxa-se
E o bucho do céu fura-se

Távez que nós dois fica-se

Távez que nós dois cai-se

E o céu furado arria-se

E as virgem todas fugir-se
Zé Da Luz

domingo, agosto 13, 2006

o que você vê?

O mais famoso teste psicológico é o teste de Rorschach. Que teste é este? Aqueles das manchas. Viu como é o mais famoso?!

A psicometria tem se desenvolvido muito e ajudado a criar bons instrumentos de avaliação psicológica. Temos testagens muito boas nas áreas da inteligência/cognição e da neuropsicologia (embora precisemos de um número muito maior de testes). As testagens de personalidade, no entanto (com excessão dos questinários e inventários), estão um pouco longe de serem conviáveis e válidas com o rigor que merecem.

Na contramão dos testes de personalidade, o teste de Rorschach, além de ser o mais famoso, é um dos mais confiáveis e válidos que estão disponíveis atualmente para a realidade brasileira. No entanto não conheço ninguém que saiba aplicá-lo e corrigí-lo com propriedade (principalmente no sistema Exner, que é o melhor) e que esteja fazendo isto com certa freqüência. É um instrumento de muita complexidade e seriedade que custa, no mínino, uns dois anos de estudo para conhecê-lo razoavelmente.

Eu ainda vou saber aplicar o Rorscharch com propriedade em uma avaliação...

Antes que isto ocorra, dá para se divertir assistindo um clipe bem bolado do Gnarls Barkley que utiliza as famosas manchas como ponto de partida.




Agradeço a Adriana pela indicação do clipe!


sexta-feira, agosto 11, 2006

coritiba X paysandu


E aí? Vai furar a fila para entrar no estádio?

20 mil torcedores em poucos metros quadrados.

livre-se dos livros?


Aconteceu de verdade. Numa aula de pós-graduação em uma cidade do interior do Paraná sobre Transtornos Invasivos do Desenvolvimento. A turma era composta principalmente por professoras de Educação Infantil e Ensino Fundamental.

- Olha, quando chegar as férias e vocês quiserem ler um bom livro para descontrair e, ao mesmo tempo, aprender sobre o Autismo, leiam "O Estranho Caso do Cachorro Morto". É um livro engraçadíssimo e profundo, eu recomendo muito!

- Professor, você nos empresta o livro para tirar xerox?


- Não vale a pena xerocar. O livro é grande: o xerox vai sair muito caro e não fica a mesma coisa. Este livro está com um preço bom. Comprem para ler nas férias.


- Quanto sai o livro?

- Não sei, de R$ 20,00 a R$ 30,00.

- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA


- O quê? Não entendi.


- Professor, você acha a gente tem dinheiro pra gastar isso num... livro?


- ...


Triste, triste. Muito triste. Não havia o que ser dito.

Os livros são caros no Brasil? O professor ganha pouco? É claro que isso tem muito de verdade, mas a pergunta vai muito mais além.

Uma pizza é cara? Entre amigos, duas pizzas e um guaraná grande e lá se vão R$ 30,00.

A locação de um DVD é cara? Um DVD proporciona, digamos, três horas de entretenimento por R$ 3,00. Quando tempo dura um livro? Dependendo do livro, muito mais de 30 horas.

Para onde vão os textos xerocados após sua leitura? Para onde vai um livro?

Gastar dinheiro com livros nunca é gastar dinheiro. É investir. O conteúdo do livro sempre retorna. Sempre. E entretém. E informa. E forma.

Mas não culpo os professores por não consumirem livros. Nem mesmo os alfabetizadores e professores de língua portuguesa que ensinam o letramento. Culpar nunca resolveu nada. Mas alguma coisa está muita errada por aqui.

O livro é, em minha modesta opinião, a maior invenção da humanidade (a segunda posição ficaria com o miojo). Antes dele todas as informações eram passadas pela cultura oral. E antes da linguagem oral as informações passavam apenas pelo código genético e demoravam várias gerações para serem consolidadas. Este objeto simples e revolucionário apresenta precisão e rapidez na transmissão de informações.

Esse descaso para com relação a ele deveria ser considerado um ofensa à humanidade.

A propósito, "O Estanho Caso do Cachorro Morto" já está esgotado na editora e é o livro que bateu meu recorde de empréstimos. Agora deve estar, segundo minhas contas, no seu 15º leitor. Se quiser emprestado, entre na fila.


quinta-feira, agosto 10, 2006

radiocaos

quarta-feira, agosto 09, 2006

oleandros



Já me avisaram que essas flores que de vez em quando posto (exemplares de Nerium Oleander, também conhecidos como oleandros) destoam do restante do blog.

Mas fazer o quê? O endereço do blog (enquanto não crio coragem de me hospedar em outro lugar) é oleandros. Eu preciso justificar isto de alguma maneira.

terça-feira, agosto 08, 2006

crossover



Sempre admirei pesquisas científicas bem delineadas e criativas. Principalmente quando elas dizem respeito diretamente às nossas vidas. E ao cotidiano de nossas vidas.

Quem já se deu ao trabalho de permanecer por mais de dez minutos ao lado de uma criança e esteve realmente presente com ela já percebeu o peso e dimensão da fantasia. Dependendo da idade não se sabe onde termina o faz de conta e começa a realidade, onde termina o "de verdade" e começa "de mentira", onde terminam os "do mal" e começam "do bem", onde termina a mentirinha e começa a mentira.

Um estudo com o título "O que o Batman pensa do Bob Esponja? A compreensão infantil da distinção fantasia/fantasia" aborda justamente isto.

A fantasia das crianças é muito mais complexa do que pensam aqueles que não estiveram realmente presentes com alguma delas por mais de 10 minutos. Ao realizarem perguntas como "O Batman acha que o Nemo existe de verdade?" e "O Batman acha que o Robin existe de verdade?", os pesquisadores Deena Sklnick e Yale Paul Bloom da Universidade Yale revelaram que as crianças entre 6 e 8 anos não só distinguiam bem realidade da fantasia como realizam uma distição hermética entre os vários universos de personagens.

É certo que a imaginação infantil vai longe (vide "O Fantástico Mundo de Bob"), mas tem seus limites. Talvez seja por isso que os crossovers dos quadrinhos nunca tenham dado muito certo. Essa história de Marvel X DC sempre fica muito estranha.

Esqueça Batman Calça-quadrada e o Garoto Patrick Prodígio. As crianças nunca foram bobas. Ou será que tem alguma coisa em comum com essas duplas dinâmicas?

lave-me, por favor


Poesia para um carro sujo

Lave-me
Leve-me
Leave me
Love me

No porta-luvas


segunda-feira, agosto 07, 2006

quebra(-cabeça) de paradigma

Cartum do Laerte.


Não se pode medir com precisão, concomitantemente, a posição e a velocidade de uma partícula. Uma pequena diferença presente nas condições iniciais de um sistema podem gerar resultados muito discrepantes.

Estes dois conceitos, respectivamente o princípio da incerteza de Heisenberg e o "Efeito Borboleta", tem sido muito mencionados por aí. Advindos da Física Quântica e da Teoria do Caos, aparecem em filmes de ficção e documentários de sucesso, na boca de cientistas, pseudocientistas, místicos, mágicos e malucos.

Para explicar fenômenos inexplicáveis (inexplicáveis até agora pois de tão misteriosos a dúvida é se eles até mesmo existem) como a percepção extra-sensorial, muitos tem se valido destas recentes contribuições da Física. O problema é que se trata de explicar o inexplicável com o ininteligível.

Ao contrário do que pode parecer nos livros do Fritjof Capra e em uma centena de manuais de auto-ajuda, compreender física quântica não é tão simples assim. Vejamos o que afirma Carl Sagan, em seu excelente livro "O Mundo Assombrado pelos Demônios" (2006, p. 287) (onde as pseudociências e superstições que assolam o mundo são desbancadas com propriedade e elegância):


Vamos imaginar que alguém queira seriamente compreender o que é a mecânica quântica. É preciso que primeiro adquira uma base, o conhecimento de cada subdisciplina matemática, transportando-a ao limiar da seguinte. Uma a uma, ele deve aprender aritmética, geometria euclidiana, álgebra da escola secundária, cálculo diferencial e integral, equações diferenciais ordinais e parciais, cálculo vetorial, certas funções especiais da física matemática, álgebra matricial e teoria dos conjuntos. Isso pode ocupar a maioria dos estudantes de física desde a terceira série primária até o início do curso de pós-graduação - aproximadamente quinze anos. Esse plano de estudo não envolve realmente o aprendizado da mecânica quântica, mas apenas estabelece os fundamentos matemático necessários para conhecê-la em profundidade.

Assim, algum parapsicólogo, por exemplo, terá paciência de estudar 15 anos para se preparar para entender uma teoria da qual faz uso para explicar um fenômeno que defende? Mais fácil é fazer a pergunta ao contrário: algum físico especialista em Física Quântica já defendeu com propriedade fenômenos parapsicológicos?

Bom, eu fico com o físico.

Virou moda questionar a ciência tradicional e lançar mão de novos paradigmas. Se depender de alguns profissionais e palestristas, um novo paradigma é lançado a cada 10 minutos e os anteriores são colocados na lata do lixo. Pobre do Thomas Kuhn, está se revirando no túmulo (ou no além-tempo-espaço da improbabilidade infinita, para quem não estudou física direito).

Tá certo que é a Teoria do Caos. Mas não precisa ser essa bagunça! Um pouco de rigor científico sempre fez bem.

quinta-feira, agosto 03, 2006

meandros



Afinal, o blog é sobre... meandros.

melhorias

Este desenho também veio do fundo da gaveta e tem pelo menos uns 5 anos. Duas conclusões:

  • Cinco anos depois eu consigo desenhar um pouco melhor (ainda bem que melhorei).
  • Acho que estava meio mal nesta época (ainda bem que melhorei).


O que está escrito na parede? O seguinte poema seguinte do Mário Quintana, que tenho de cor desde esta época:


Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...

Hoje, dos meus cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca,
Não haverão de arrancar a luz sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!


quarta-feira, agosto 02, 2006

anelar ou anular?

Embora até não pareça, estamos em época de campanha eleitoral.

A impressão é que ela só começa a existir quando aparece na televisão (como quase tudo em nossa sociedade ocidental). Há ainda o agravante de que as ruas não estão repletas de cartazes e números de canditados conforme já havíamos nos habituado em eleições anteriores (aliás, de quem é o projeto de lei que proibiu os cartazes? Esse merecia ser eleito novamente).

Mas enquanto não aparece entre a novela e o jornal a tela azul com as letras garrafais T - S - E, o famoso "tsé" que faz as locadoras trabalharem como nunca, pipoca na internet em e-mail, pps e comunidades no orkut uma estranha campanha.

Vote nulo
. É o que pregam estas mensagens pretensamente anarquistas, cujos autores não levam em conta que a Colônia Cecília, mesmo com todos o seu charme anárquico, não deu lá muito certo.

Além de ser tipicamente um descontentamento com a situação política, o voto nulo é apontado por esta campanha como uma interessante solução para esta situação visto que conseguiria eliminar de uma só vez todos os canditados presentes nesta eleição.

Vejamos, entretanto, o que diz o Código Eleitoral. No art. 224, consta:

Se a nulidade atingir a mais da metade dos votos do País nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais, ou do Município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 a 40 dias.

Correto. Serão marcadas novas eleições. Porém o texto não fala nada sobre novos candidatos. Não há nada previsto na legislação q
uanto ao fato do candidato que deu causa à nulidade da eleição poder se candidatar novamente. Cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (o tsé) decidir.

Ou seja, provavelmente as eleições acontecerão novamente com os mesmo candidatos. E daí? E daí nada. Continua a mesma coisa, só que mais caro para todos.

Mas nem isto é verdade. O artigo está fora de contexto e uma eleição não é anulada de nenhuma forma pelos votos. A verdade sobre o voto nulo, explicada em detalhes, pode ser conferida neste artigo aqui.

Tirando esse verniz anarquista, o voto nulo tem cara muito mais é de alienação. Sem comprometimento. Sem necessidade de acompanhar o candidato que mereceu seu voto. Sem esforço. Sem vergonha.

Melhor que não dar voto a quem não merece é procurar quem merece. Sem a procura, como saber que um bom político não existe?

Enquanto não aparece aquela gincanização na televisão, sugiro começar a procura por aqui: a declaração de bens de todos os canditados no tsé. Acredite, é, no mínimo, curioso. E muito melhor que votar nulo.


soneto

Algumas coisas idependem do tempo e do local. Presidentes de nações e síndicos, ouçam este soneto centenário.

Aos srs. governadores do Mundo,
em seco da cidade da Bahia,
e seus costumes:


A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um bem freqüente olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça e ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos sob os pés os homens nobres,
Posta nas palmas toda a picardia,

Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.
Gregório de Matos

terça-feira, agosto 01, 2006

knockin' on heaven's door



Revirando algumas gavetas, encontrei este desenho dos idos de 2001.