meandros

sexta-feira, agosto 11, 2006

livre-se dos livros?


Aconteceu de verdade. Numa aula de pós-graduação em uma cidade do interior do Paraná sobre Transtornos Invasivos do Desenvolvimento. A turma era composta principalmente por professoras de Educação Infantil e Ensino Fundamental.

- Olha, quando chegar as férias e vocês quiserem ler um bom livro para descontrair e, ao mesmo tempo, aprender sobre o Autismo, leiam "O Estranho Caso do Cachorro Morto". É um livro engraçadíssimo e profundo, eu recomendo muito!

- Professor, você nos empresta o livro para tirar xerox?


- Não vale a pena xerocar. O livro é grande: o xerox vai sair muito caro e não fica a mesma coisa. Este livro está com um preço bom. Comprem para ler nas férias.


- Quanto sai o livro?

- Não sei, de R$ 20,00 a R$ 30,00.

- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA


- O quê? Não entendi.


- Professor, você acha a gente tem dinheiro pra gastar isso num... livro?


- ...


Triste, triste. Muito triste. Não havia o que ser dito.

Os livros são caros no Brasil? O professor ganha pouco? É claro que isso tem muito de verdade, mas a pergunta vai muito mais além.

Uma pizza é cara? Entre amigos, duas pizzas e um guaraná grande e lá se vão R$ 30,00.

A locação de um DVD é cara? Um DVD proporciona, digamos, três horas de entretenimento por R$ 3,00. Quando tempo dura um livro? Dependendo do livro, muito mais de 30 horas.

Para onde vão os textos xerocados após sua leitura? Para onde vai um livro?

Gastar dinheiro com livros nunca é gastar dinheiro. É investir. O conteúdo do livro sempre retorna. Sempre. E entretém. E informa. E forma.

Mas não culpo os professores por não consumirem livros. Nem mesmo os alfabetizadores e professores de língua portuguesa que ensinam o letramento. Culpar nunca resolveu nada. Mas alguma coisa está muita errada por aqui.

O livro é, em minha modesta opinião, a maior invenção da humanidade (a segunda posição ficaria com o miojo). Antes dele todas as informações eram passadas pela cultura oral. E antes da linguagem oral as informações passavam apenas pelo código genético e demoravam várias gerações para serem consolidadas. Este objeto simples e revolucionário apresenta precisão e rapidez na transmissão de informações.

Esse descaso para com relação a ele deveria ser considerado um ofensa à humanidade.

A propósito, "O Estanho Caso do Cachorro Morto" já está esgotado na editora e é o livro que bateu meu recorde de empréstimos. Agora deve estar, segundo minhas contas, no seu 15º leitor. Se quiser emprestado, entre na fila.


1 Comments:

  • massa meu! agora vc começou a contar as histórias! Conta aquela da plasticidade cerebral, ehhehehhe

    muito legal teu post. concordo com tudo, menos com o miojo, hehehhehehehhehe

    Miojo p mim agora, só na montanha!!!

    abração

    By Anonymous catatau, at 7:22 PM  

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