meandros

segunda-feira, outubro 30, 2006

Afasta de mim este tal de róloim


Nos últimos anos, durante as duas semanas finais de outubro fico profundamente irritado com o comportamento dos meus vizinhos. É quando passamos ao mundo o nosso atestado de imbecilidade coletiva, de povo sem identidade, fácil de se dobrar aos costumes e modismos alienígenas. São os dias adventícios a esta festa importada chamada Halloween*. Professoras de escolas de inglês e filmes de tevê de quinta categoria trataram de disseminar o assunto entre nossas crianças e, parece que o modismo é irremediável: veio mesmo para ficar.

Costume que vem sendo reforçado pela mídia e por apresentadores de televisão de peso. Nascemos para “macacas” de auditório e ninguém nos tira este destino.

Por que é que o nosso povo, tão rico em festas populares, se submete a esta “coisa” americanizada chamada "Dia das Bruxas" ? Para eles a festa tem sentido, mas para nós que temos festas maravilhosas como, Folia de Reis, Festas do Divino, Juninas, Carnaval, Boi Bumbá, Micaretas, Cavalhadas, Missa Criola, do Vaqueiro, Iemanjá, Sírio de Nazaré, N.S. dos Navegantes etc.? O que é que temos a ver com isto ? Tenham paciência, róloim não é da nossa história e nem do nosso imaginário religioso e, me doeu muito ver no ano passado uma festa de róloim em colégio de freiras. Deus tenha piedade destas irmãs, elas não sabem o que fazem. Será que foi uma exigência mercadológica ?

Na minha opinião, a entrega das nossas empresas, bancos, telefonia, estradas e até serviços de lavanderias ao capital e principalmente à inteligência estrangeira é bem retratada quando nossas inocentes professorinhas de jardim de infância fazem em suas escolinhas festas de róloim, que bela maneira de se criar cidadãos isentos de responsabilidade para com o seu país, costumes e cultura. Breve entregaremos as chaves do Palácio do Alvorada e o tal do róloim passará a fazer parte do calendário oficial da cultura de alguma Secretaria Estadual. É só ficar quieto e dar tempo ao tempo que alguém oficializará o evento. Se é para entregar o país, somos realmente eficientes, começamos logo por entregar corações e mentes das nossas crianças.

E a minha indignação não fica só com as barulhentas festas das bruxas americanas. Temos algo pior, são as modas country e seus caubóis de asfalto, hoje infestados em todas as classes. Do rapagão filho de papai-rico com suas pretensas picapes de fazendeiros de asfalto, aos nhô-boys de bairro, que hoje escrevem frases erradas em seus Chevetes, Brasilias e Passats. Dizem que escrevem errado para provocar. Não, escrevem errado mesmo porque não sabem escrever. Não aprenderam e nem querem se dar ao trabalho.

Nós, com os vaqueiros mais ricos do mundo, em roupas e costumes, gaúchos com suas pilchas, pantaneiros e nordestinos em suas vestimentas de couro temos que nos curvar a texanos, nada contra texanos, no Texas.

A ditadura money-moda-mídia continua a tomar conta das nossas rádios e tevês onde além de imperar a musica country-from-Nashville também temos que suportar o reggae jamaicano importado por cantores famosos da Bahia, logo eles que estão imersos nos ritmos mais “quentes” do mundo. Valorizaram a música alheia esquecendo-se das suas raízes. Paciência, são coisas feitas por e para uma população que já se acostumou a beber água de outra fonte que não a sua.

Sempre foi assim. Nossos antepassados tupiniquins, não entregaram suas árvores de pau-brasil, papagaios e peles de onças a troco de panos, miçangas e vidros coloridos?

Breve alguns mitos brasileiros tais como, boitatá e saci-pererê não passarão de lendas remotas, porque os duendes, gnomos e bruxas estão ganhando a “parada”. Eles já têm até lojas especializadas, organizadas em redes de franquias de sucesso. Adesivos como “eu acredito em gnomos” imperam em todos os tipos de carros.

E voltando a falar em róloim, por que será que a nossa mídia dá tanto espaço para este assunto? Por acaso nossos jornalistas, que deveriam defender a cultura pátria, já estão contaminados? Recentemente importantes livros das lendas brasileiras escritos por Clarice Lispector, Moacyr Sclier e ilustrados por Lazar Segal foram editados e não se falou uma linha deste assunto. Penso que o folclore, a música autêntica brasileira, dança e costumes populares soam para a nossa classe média e para o pessoal da elite como coisas de pobre. Chique e de valor tem que vir de Miami.

Importar boa cultura, bons costumes, tecnologia e novas palavras para nosso vocabulário não é de todo ruim, mas róloim ?!?! Isto é demais para a minha cabeça !

Merecemos mesmo a pecha de colonizados. E ao que tudo indica, ficaremos neste buraco por muito tempo.

*Halloween significa todas as almas santificadas. É o dia que antecede ao finados. Festa tipicamente americana.

Eloi Zanetti

é nisso que dá votar nulo


No post anterior questionei as urnas eletrônicas. Na verdade apenas um detalhe técnico deste instrumento. Mas foi um questionamento de brincadeira, como quem não tem mais o que fazer e fica falando mal de algo que é bom.

Muito diferente do questionamento do governador re-eleito Roberto Requião. Sugerindo uma manipulação dos resultados, o canditado que ganhou por apenas 0,2% dos votos (ou 10.479 votos) mostrou confiar mais nas pesquisas eleitorais do que no resultado apresentado nas urnas! Afinal, as pesquisas de véspera e mesmo a pesquisa de boca-de-urna apresentavam uma vantagem de até 5 pontos percentuais.

Existem algumas razões pela diferença entre a pesquisa e o resultado eleitoral. A primeira delas é que a pesquisa possui uma margem de erro e a margem de erro quer dizer, obviamente, que ela pode estar errada naqueles limites. E todas as pesquisas apontaram empate técnico. Os cinco pontos só significam alguma coisa forçando os dados. Nem mesmo a melhor das metodologias de pesquisa conseguiriam um resultado melhor do que esta eleição foi: um empate técnico.

Outra razão é que a pesquisa é de intenção de voto. "De boas intenções o inferno está cheio", diz o velho deitado, que ilustra o fato de que entre a intenção e a execução (neste caso, a do voto) existe um bom caminho. Em crise de cosnciência política, neste pleito eleitores mudaram seu voto a toda hora. Mesmo a pesquisa de boca-de-urna onde o voto já está consolidado não escapa da chance do entrevistador responder diferentemente do que votou.

E aqui entramos em um detalhe interessante. O assessor de imprensa do TRE, Marden Machado, em entrevista ao Bom Dia Brasil apresentou a seguinte teoria: boa parte da diminuição da vantagem (não tão grande assim) do Requião deve-se à confusão na ordem de votação. Vários eleitores devem ter pretendido votar para presidente no início e depois para governador e acabaram anulando seu voto. Este tipo de anulação de voto pertenceria às pessoas com menor escolaridade que teriam preferência principalmente pelo Requião. O que deu uma ligeira vantagem para o Osmar Dias.

Olhando o percentual de votos nulos isto faz muito sentido. Foram 7,75% para presidente e 6,52% para governador. Índices muito próximos, o que nos faz pensar que os dois votos foram anulados ao mesmo tempo. Como não havia coincidência de partidos entre a eleição de governador e presidente, o voto era nulo em ambos os casos.

Observe como os índices próximos ocorrem também nos outros estados com segundo turno (com excessão apenas do Rio) para governador e presidente:



GO 9,68% - 7,51%
MA 8,75% - 8,54%
PB 7,28% - 6,31%
PE 9,68% - 9,21%
RJ 13,63% - 9,68%
RN 8,86% - 8,43%
SC 7,89% - 6,4%


No entanto índices tão altos de anulação de voto não ocorreram em dois estados cuja disputa pelo governo (assim como para presidente) foi entre PT e PSDB. No Pará a margem de erro foi bem menor: 2,53% para governador e 2,25% para presidente. Idem para o Rio Grande do Sul: 2,48% e 2,25%. Nestes estados podemos imaginar uns 3% de votos que iriam para o PT estadual irem para o federal e vice-versa e vice-versa (com o PSDB).

A percentagem nacional de votos nulos para presidente foi de 4, 71%. No RS e no PA houve voto nulo de menos por erro do eleitor. Nos demais estados houve voto nulo demais também por erro do eleitor.

Até quando eleitor brasileiro quer votar nulo ele erra!

Mas atribuir vitória apertada à manipulação da urna é o mesmo que reclamar à balança do excesso de peso.

domingo, outubro 29, 2006

eu não confio em disquete


Há quem não confie em nenhum político.

Eu não confio em nenhum disquete.

Certa vez fui assistir a uma defesa de dissertação de mestrado de uma colega. Com início previsto para 14h, às 13h55min eu estava confortavelmente sentado esperando a argüição, que prometia ser brilhante. Às 14h10min a colega me chamou:

- Leandro, você entende de informática, né? Salvei um arquivo no power point e não consigo abrir.

- Em que drive está o CD? – perguntei, oferecendo meus préstimos de técnico amador.

- Não gravei em CD.

- Ah, está no pen-drive!?

- Não, eu gravei em disquete. E o computador não está conseguindo ler o disquete.

Gelei.

Neste momento tentei não mostrar toda a minha preocupação para não aumentar o nervosismo já natural da situação de avaliação em que a minha colega se encontrava. Mas achei loucura confiar em um disquete. E em apenas uma disquete.

Ela não percebia que os disquetes depois de duas semanas (ou menos) de uso começam a dar muito problema? Que pedem para serem formatados o tempo todo e que isto não resolve o problema? Que são suscetíveis a choques físicos e magnéticos? Que os novos modelos de computadores não vem mais com drives de disquete por alguma razão? Enfim, que não dá para confiar em disquete?

- Vamos ver o que dá para fazer.

Foi eu clicar no drive A: e a leitura do disquete baleado, inacreditavelmente, aconteceu. Sem perder tempo copiei o arquivo para o disco rígido e o abri. Estava intacto e a defesa da dissertação pode ocorrer sem transtornos (brilhantemente, conforme o esperado). Sei que me senti muito mais aliviado do que minha colega, talvez por saber do perigo que ela estava correndo e, por acaso, conseguiu se livrar.

Nossas eleições são as melhores do mundo. Com menos de uma hora e meia Curitiba já havia apurada todas as suas urnas eletrônicas. Com três horas o Brasil já conhecia o resultado da eleição para presidente e governadores. Isto com extrema confiança na precisão e infalibilidade da contagem dos votos.

Realmente, não há como burlar as urnas eletrônicas. Mas então por que outros países (e países ditos mais avançados) não adotam este sistema? Creio que a corrupção não acontece apenas aqui no Brasil e a corrupção eleitoral (que orgulhosamente conseguimos eliminar) é desejada na grande maioria dos países. Vide as duas últimas eleições do Bush. Os outros países não adotam as urnas porque não, elas não funcionam. Não adotam porque elas sim, funcionam e funcionam bem.

Mas apenar de toda a eficiência do sistema eleitoral e da urna eletrônica uma coisa me assusta: a urna usa disquete!

Ok, provavelmente são disquetes novos e as chances de erro são pequenas. Mas um erro de leitura em um disquete invalidaria toda uma seção eleitoral!

Creio que isto é mais um medo pessoal do que uma realidade. Ah, mas só vou ficar totalmente tranqüilo durante uma eleição quando as urnas eletrônicas utilizarem um pen-drive.

Ah, isso sim.


sábado, outubro 28, 2006

agora é Lula!

sexta-feira, outubro 27, 2006

chimarrão

"(...)

Disso podemos nos orgulhar. O McDonald's está em todo o mundo, a Coca-Cola também, mas o chimarrão continua sendo autenticamente gaúcho.

A pergunta é: por quê? Porque não aconteceu com a erva-mate o mesmo que com o café e o tabaco, transformados em "commodities" globais?

Exatamente por isso, porque o chimarrão não é cômodo. A térmica dispensa o fogo e o trempe, mas, de qualquer modo, preparar a infusão continua requerendo elaborado ritual, muito mais elaborado do que extrair um cigarro do maço e acendê-lo. Não houve maneira de industrializar o chimarrão como foi feito com o café, com o cacau, com o tabaco e até mesmo com a cocaína.

Sim, há o chá de mate, e é uma bebida agradável, mas é uma coisa bem diferente. A cultura do chimarrão é uma cultura artesanal. Mais do que isso, ela não está associada a nenhum dos valores da sociedade competitiva, de consumo. Café e coca são estimulantes, o cigarro, ao menos em uma época, foi símbolo de status, o chocolate era até considerado afrodisíaco. O modesto mate não tem essa aura. É verdade que ganhou fama de diurético, mas, com a quantidade que se toma, teria de ser diurético mesmo, e, além disso, quem precisa urinar tanto?

Por outro lado, pesou sobre o chimarrão a suspeita de que estivesse associado ao câncer de esôfago. Isso, felizmente, não se confirmou. Os fumantes que tomam mate estáo mais sujeitos à doença, mas isso se deve à forma de efeitos da água quente e das substâncias cancerígenas do tabaco. Se for o caso, é preciso larga o cigarro. O que seguramente será um benefício.


Não é preciso atribuir ao mate poderes medicamentosos. Seu mérito é de outra natureza: congrega as pessoas, estimula o sentido de camaradagem. O que tem óbvios benefícios emocionais.

Num mundo ameaçado pela homogeneização, a cultura gaúcha, teimosamente, gloriosamente, sobrevive. O que é muito bom. Identidade é algo a ser preservado, inclusive por se tratar de componente importante da saúde mental. Melhor tomar chimarrão do que recorrer aos psicotrópicos como forma de preencher o vazio existencial."


Moacyr Scliar

quinta-feira, outubro 26, 2006

grostoli on Lost, episódio III

Estou adorando esta brincadeira de fazer tirinhas com Lost.

Clique na imagem para visualizá-la melhor.


Menos de 24 horas depois da exibição nos Estados Unidos, uma tira sobre o episódio "Every man for himself".

Se você não estiver acompanhando a série "em tempo real", assim que possível vou começar a fazer outras HQ da primeira e segunda temporada.

Agora, se você não está acompanhando a série não sabe o que está perdendo.


quanto à matadora de mendigos


Charge do Aroeira perfeita para ilustrar um post anterior.

quarta-feira, outubro 25, 2006

catatau



Catatau é a obra mais experimental de Paulo Leminski. O autor parte do presuposto de que René Descartes veio ao Brasil durante as invasões holandesas no séc. XVII. Um racionalista nos trópicos tentando entender a realidade tupiniquim. Para se ter uma idéia, o livro (lançado originalmente em 1975) tem apenas um único (e grande) parágrafo.

Catatau também é o nome de um blog parceiro do meandros. E, sendo um grande parceiro, eu não poderia deixar de mencionar que ele é um dos 10 finalistas do concurso The BOBs - Best of Blogs de uma emissora de televisão alemã. Um blog (como diz seu autor, "construído na unha") lado a lado com grandes nomes e empresas do Brasil.

O que tem no Catatau? Eis a descrição do concurso:


Comentários e referências sobre filosofia, textos empoeirados, cotidiano, rabugentices, mídia e política, arte visual e cinema, curiosidades e outros assuntos. O autor apresenta os fatos sempre através de um viés cultural e consegue ser sofisticado sem ser pretensioso.


Um blog que faz pensar. E pensar na realidade brasileira, tal qual Descartes o fez embalado nas praias do Recife.

Se você ainda não conhece o Catatau, conheça.

Se já conhece, vote (e concorra a um iPod Vídeo)!

terça-feira, outubro 24, 2006

quanto aos mendigos

Charge do Bennet.


"O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"

Era esta a pergunta feita aos brasileiros um ano atrás. A maioria dos habitantes do segundo país com maior número de assassinatos por armas de fogo disseram que não, que o comércio não deveria ser proibido.

Creio que deveríamos aproveitar a eleição de domingo (serão apenas uma ou duas perguntas, o que custa fazer uma terceira?) para outro referendo:


“A expulsão e a agressão de mendigos devem ser proibidas no Brasil?”


Bom, eu tenho a impressão de que estas práticas já são proibidas.

Mas até agora está parecendo é que as acusações de expulsão e tortura dos mendigos de Paranaguá são culpa dos próprios mendigos que gostam de pegar carona nas vans da prefeitura até Curitiba e voltar a pé para sua cidade litorânea.

E, ainda, que uma boa solução para este problema é justamente o que sugeriu a aposentada Maria Dora dos Santos durante seu discurso na Câmara dos Veradores do Rio de Janeiro. No discurso, em que agradecia a medalha que ganhou por ter atirado na mão de um mendigo em legítima defesa ao seu poodle, ela propôs que os desocupados deveriam ser removidos para albergues ou atirados no meio do mar.

A tempo, o porte de arma da dona Maria era ilegal. E não adiantou nada ela ter votado no “não” no último plebiscito. Ela não fez juz ao direito de comprar uma arma.


segunda-feira, outubro 23, 2006

14-bis


Uma singela homenagens a uma das pessoas mais criativas de nossa história.

100 anos atrás durante 21 segundos o primeiro avião mantinha-se no ar por propulsão própria. Aproximadamente 26 anos depois o autor deste avião comete suicídio envergonhado de seu invento.

Se hoje não há vergonha com aviões, falta orgulho suficiente perante tão importante brasileiro.

grostoli on Lost, episódio II

Mais um flashback fajuto de LOST!

Clique na imagem para visualizá-la melhor.


Dica de blog sobre a série: Hiperlost.

quinta-feira, outubro 19, 2006

meandros


Al otro lado del rio

Clavo mi remo en el agua

Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

El día le irá pudiendo poco a poco al frío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

En esta orilla del mundo lo que no es presa es baldío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Yo muy serio voy remando muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río


terça-feira, outubro 17, 2006

o melhor do teatro curitibano

A peça teatral mais hilariante que vi é esta:


Vai ficar em cartaz até o dia 29/10. Aos sábados e domingos também está em cartaz a outra excelente peça do grupo, "Pequenas Caquinhas", às 18h30.

Humor inteligente de primeira grandeza, o atropofocus é tão bom que se não fosse de Curitiba iria ser reconhecido como merece. Se fossem artistas da Globo, o sucesso seria estrondoso.

Ou não. Um dos membros do grupo saiu e foi ser artista da Globo. Fez um papel idiota em uma novela idiota. O chinês Sheng Leng da novela Bang-Bang, lembra? Podia ter ficado por aqui.

Aproveite antes que a Globo estrague os outros atores.

segunda-feira, outubro 16, 2006

grostoli on Lost, episódio I

Não é novidade uma paródia da série Lost em quadrinhos. No entanto, não deixa de ser um bom exercício de imaginação.

Clique na imagem abaixo para visualizá-la melhor.


Grostoli é um doce italiano bastante popular aqui no Brasil, também conhecido como Cueca Virada ou Orelha de Gato. O "Grostoli no Lost" é só um trocadilho com o "Previosly on Lost..." que abre cada episódio da série.

Putz, explicar piada é meio triste, mas não resisti.


domingo, outubro 15, 2006

fessora

Hoje comemoramos a profissão mais importante do mundo. Deixo aqui o meu sincero agradecimento a todos os que me fizeram desejar me tornar como um deles.



Oh! aquele meninho que dizia
"Fessora, eu posso ir lá fora?"
mas apenas ficava um momento
bebendo o vento azul...
Agora não preciso pedir licença a ninguém.
Mesmo porque não existe paisagem lá fora:
somente cimento.
O vento não mais me fareja a face como um cão amigo..
Mas o azul irreversível persiste em meus olhos.

Mário Quintana

sábado, outubro 14, 2006

spin

Outro bom vídeo da internet. Um curta metragem de 8 min apresentando uma espécie de mistura de "Corra, Lola, Corra" + "Efeito Borboleta" + Hip-Hop. Não, o hip-hop não estraga. Ao contrário, dá um tom legal ao filminho.





Dica do Grilo Caverna.

quinta-feira, outubro 12, 2006

o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!



Existem dois filmes antigos no Brasil que continuam proibidos e polêmicos.

O primeiro é "Amor, Estranho Amor" de 1982. Neste filme a jovem modelo Xuxa Meneghel aparece com carícias pra lá de íntimas com um menino. Para a futura rainha dos baixinhos, mais polêmico impossível. Claro que o filme foi proibido.

O segundo é "Muito Além do Cidadão Kane", de 1993. Trata-se de um documentário produzido pela BBC de Londres sobre a televisão brasileira, em especial a rede Globo e Roberto Marinho. Extremamente ácido, crítico e... polêmico. Claro que o filme foi proibido.

Lembro que assisti o documentário duas vezes em VHS em exibições públicas (e depois disto nunca mais assisti televisão da mesma forma). A primeira foi em uma reunião de igreja e a segunda no cursinho nos idos dos anos 90. Eram cópias da cópia da cópia do filme em uma qualidade bastante difícil e que tornava o documentário mais clandestino ainda. Mas mesmo assim uma preciosidade.

O fato é que hoje ambos os filmes estão disponíveis na internet com uma boa qualidade. O primeiro, como qualquer material pornô, pode ser encontrado em qualquer lugar.

O segundo pode ser baixado com facilidade aqui. Agradeço o Catatau pela dica, visto que o filme é uma das ferramentas que fazem parte da sua "caixa de ferramentas para votar no segundo turno".

quarta-feira, outubro 11, 2006

para refletir

Para refletir, um espelho e uma velha piada sobre o ceticismo:

Conta-se a história a respeito de um bêbado regenerado e de sua esposa, a qual não estava completamente segura da mudança ocorrida em seu marido.

Um dia, quando esquiava, o homem caiu e quebrou a perna. Com a ajuda da esposa, arrastou-se até uma cabana abandonada que, por acaso, estava cheia de garrafas de whisky. Como sua perna doesse muito, o homem sugeriu que sua esposa fosse à procura de ajuda, enquanto ele permaneceria na cabana. A esposa concordou, mas só depois de fazê-lo prometer que, de maneira nenhuma, beberia o whisky disponível.

De posse dessa promessa, ela deixou a cabana à procura de ajuda. O homem esperou várias horas pela esposa, enquanto a dor aumentava terrivelmente. Passou um dia, uma semana, um mês; o pobre estava tão fraco que pensou estar para morrer. Abriu, então uma garrafa de whisky, pensando em tomar um último trago antes de morrer. Assim que ele colocou o copo na boca, sua esposa abriu a porta de entrada que dava para uma varanda, onde estivera se escondendo todo o tempo e disse:

- Ah, há! Eu sabia que não podia confiar em você!


Google + YouTube

Não entendeu a graça? Clique aqui.
Continua achando sem graça? Bom, talvez a piada não tenha sido tão boooa. Aí já não posso fazer mais nada.

Para criar seu próprio logotipo do Google clique aqui.

terça-feira, outubro 10, 2006

meandros


Foi ontem, e é o mesmo que dizermos, Foi há mil anos, o tempo não é uma corda que se possa medir nó a nó, o tempo é uma superfície oblíqua e ondulante que só a memória é capaz de fazer mover e aproximar.

José Saramago

segunda-feira, outubro 09, 2006

dr. Jekyll

Acabou-se Lulinha Paz & Amor.
Acabou-se Alkmin Paz & Amor.


domingo, outubro 08, 2006

o monge e o executivo

Durante o debate de hoje na BAND (que foi um verdadeiro debate, enfim consegui sentir que a campanha está para valer) Alkmin apontou a boataria de que ele privatizaria a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e os Correios.

Parece que a origem da boataria é este texto do dominicano Frei Betto (leia algumas de suas entrevistas sobre o governo Lula aqui, aqui e aqui).

Como este blog não é imparcial (e alguma coisa neste mundo é?), reproduzo o texto e assino embaixo, declarando meu voto para segundo turno para presidente. Já chega o que fizeram com a Vale do Rio Doce. Essa "boataria" tem fundo de verdade...


CARTA ABERTA AOS ELEITORES CRISTÃOS


A 29 de outubro escolheremos quem governará o Brasil nos próximos 4 anos: Lula ou Alckmin. Os dois são cristãos. Os dois nunca deram mostras de tendência fundamentalista, a de querer submeter a política à autoridade de uma Igreja ou religião.


A política é laica, ou seja, neutra em matéria de religião. Ela visa ao conjunto da população, sem levar em conta as convicções religiosas do cidadão ou cidadã. A todos o governo tem a obrigação de servir, assegurando-lhes direitos, proteção e o mínimo de bens para que possam viver com dignidade.


Se nenhuma religião tem o direito de tutelar a política, isso não significa que a política deva se confinar no pragmatismo do jogo de poder. A política se apóia em valores éticos. E nós, cristãos, temos como fonte de valores a Palavra de Jesus. É à luz do Evangelho que avaliamos todas as esferas da atividade humana, inclusive a política ­ que é a mais importante delas, pois influi em todas as outras.


Para Jesus, o dom maior de Deus é a vida. Está mais próxima do Evangelho a política que favorece condições dignas de vida à maioria da população. É neste ponto que as políticas do PSDB e do PT ganham contornos diferentes. Os dois partidos tiveram desvios éticos? Sem dúvida. Como ironiza Jesus, atire a primeira pedra quem não tem pecados. Errar é humano. Persistir no erro é abominável. Se um membro da família erra, não se pode condenar por isso toda a família. O grave é quando a família toda abraça o caminho do erro.


Este foi o caso do PSDB, partido de Alckmin, nos 8 anos em que FHC (Fernando Henrique Cardoso) governou o Brasil (1994-2002). Empresas públicas foram privatizadas. Grandes empresas brasileiras ­ Vale do Rio Doce, Embratel, Telebrás, Usiminas etc - patrimônios do povo brasileiro, cujos lucros engordavam os cofres do Estado, foram vendidas a preço de banana, e os lucros passaram a ser embolsados por corporações privadas, muitas delas estrangeiras.


Lula não privatizou o patrimônio público. Eleger Alckmin pode ser o primeiro passo para a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e dos Correios.


No governo FHC, as políticas sociais eram tímidas e assistencialistas. O Comunidade Solidária era uma iniciativa nanica comparada à grandiosidade do Bolsa Família, que hoje distribui renda para mais de 40 milhões de pessoas. Graças a isso, de cada 100 brasileiros que viviam na miséria, nos últimos 4 anos 19 passaram à classe média.


No governo Lula houve, sim, desvios éticos: o caso Waldomiro Diniz; o "mensalão" e os "sanguessugas"; a quebra do sigilo bancário do caseiro de Brasília; o dossiê contra Serra. Não há nenhuma prova de que o presidente soubesse antecipadamente dessas operações inescrupulosas. E ao virem a público, ele tratou de demitir os envolvidos.


No governo FHC, dinheiro público foi usado para tentar socorrer bancos privados: o Proer. O Banco Econômico recebeu R$ 9,6 bilhões. Instalou-se uma CPI que, controlada pelo Planalto, justificou a maracutaia e nunca investigou a Pasta Rosa que continha os nomes de 25 deputados federais subornados pelo Econômico.


Houve ainda os casos dos precatórios; da compra de votos para aprovar a emenda constitucional que permitiu a reeleição de FHC; do socorro aos bancos Marka e FonteCidam no valor de R$ 1,6 bilhão (os tucanos impediram a instalação da CPI para investigar o caso); as falcatruas na Sudam etc. Nada foi apurado, porque o Procurador-Geral da República, Geraldo Brindeiro, conhecido como “engavetador-geral”, engavetou, até maio de 2001, 242 processos contra o governo e arquivou outros 217, livrando os suspeitos de qualquer investigação: 194 deputados federais, 33 senadores, 11 ministros e ex-ministros, e o próprio presidente da República.


O governo FHC tratou os movimentos populares como caso de polícia, e não de política. Remeteu o Exército para reprimir o MST e os petroleiros em greve. Lula jamais criminalizou movimentos sociais e, sob o seu governo, a Polícia Federal levou à prisão gente graúda, dos donos de uma grande cervejaria a juízes, e inclusive petistas envolvidos no caso do dossiê anti-Serra.


O governo Lula reforçou a soberania do Brasil. Repudiou a Alca proposta pelo governo Bush; condenou a invasão do Iraque; visitou a cada ano países da África; abriu as portas de nossas universidades a negros e indígenas; estendeu energia elétrica aos mais distantes rincões; manteve a inflação sob controle; impediu a alta do dólar; reduziu os preços dos gêneros de primeira necessidade; ampliou o poder aquisitivo dos mais pobres, através do aumento do salário mínimo.


Lula ainda nos deve muito do que prometeu ao longo de suas campanhas presidenciais, como a reforma agrária. Porém, o Brasil e a América Latina serão melhores com ele do que sem ele. Se você está convencido disso, trate de convencer também outros eleitores.


Vamos votar na vida ­ e "vida para todos" (João 10,10). Vamos reeleger Lula presidente!
Frei Betto

quinta-feira, outubro 05, 2006

o jogo do poder

Clique na imagem (duas vezes) para visualizá-la melhor.

quarta-feira, outubro 04, 2006

rebeldes

Não poderia deixar de mencionar a passagem da importantíssima banda RBD por nosso país. Por isto, segue abaixo o histórico de rebeldia da juventude (embora as verdadeiras raízes da banda estejam nos Menudos e nas Chiquititas).

(Clique na imagem para visualizá-la melhor.)

segunda-feira, outubro 02, 2006

LOST e a Turma da Mônica

Na edição nº 243 da revista do Cebolinha saiu uma paródia da série LOST. Seguem abaixo os melhores momentos, ao lado de algumas das cenas originais. Estou celto que alguma coisa vai dar elado.

(Clique nas imagens para ampliá-las)


domingo, outubro 01, 2006

o fim?


Ao contrário das espectativas das pesquisas, vai dar segundo turno tanto para presidente como para o governo do Paraná. Como afirmei anteriormente, creio que isto é positivo para o atual momento democrático.

Por hora, como costuma dizer o José Simão, chega de pleito. Queremos blunda!