meandros

domingo, outubro 29, 2006

eu não confio em disquete


Há quem não confie em nenhum político.

Eu não confio em nenhum disquete.

Certa vez fui assistir a uma defesa de dissertação de mestrado de uma colega. Com início previsto para 14h, às 13h55min eu estava confortavelmente sentado esperando a argüição, que prometia ser brilhante. Às 14h10min a colega me chamou:

- Leandro, você entende de informática, né? Salvei um arquivo no power point e não consigo abrir.

- Em que drive está o CD? – perguntei, oferecendo meus préstimos de técnico amador.

- Não gravei em CD.

- Ah, está no pen-drive!?

- Não, eu gravei em disquete. E o computador não está conseguindo ler o disquete.

Gelei.

Neste momento tentei não mostrar toda a minha preocupação para não aumentar o nervosismo já natural da situação de avaliação em que a minha colega se encontrava. Mas achei loucura confiar em um disquete. E em apenas uma disquete.

Ela não percebia que os disquetes depois de duas semanas (ou menos) de uso começam a dar muito problema? Que pedem para serem formatados o tempo todo e que isto não resolve o problema? Que são suscetíveis a choques físicos e magnéticos? Que os novos modelos de computadores não vem mais com drives de disquete por alguma razão? Enfim, que não dá para confiar em disquete?

- Vamos ver o que dá para fazer.

Foi eu clicar no drive A: e a leitura do disquete baleado, inacreditavelmente, aconteceu. Sem perder tempo copiei o arquivo para o disco rígido e o abri. Estava intacto e a defesa da dissertação pode ocorrer sem transtornos (brilhantemente, conforme o esperado). Sei que me senti muito mais aliviado do que minha colega, talvez por saber do perigo que ela estava correndo e, por acaso, conseguiu se livrar.

Nossas eleições são as melhores do mundo. Com menos de uma hora e meia Curitiba já havia apurada todas as suas urnas eletrônicas. Com três horas o Brasil já conhecia o resultado da eleição para presidente e governadores. Isto com extrema confiança na precisão e infalibilidade da contagem dos votos.

Realmente, não há como burlar as urnas eletrônicas. Mas então por que outros países (e países ditos mais avançados) não adotam este sistema? Creio que a corrupção não acontece apenas aqui no Brasil e a corrupção eleitoral (que orgulhosamente conseguimos eliminar) é desejada na grande maioria dos países. Vide as duas últimas eleições do Bush. Os outros países não adotam as urnas porque não, elas não funcionam. Não adotam porque elas sim, funcionam e funcionam bem.

Mas apenar de toda a eficiência do sistema eleitoral e da urna eletrônica uma coisa me assusta: a urna usa disquete!

Ok, provavelmente são disquetes novos e as chances de erro são pequenas. Mas um erro de leitura em um disquete invalidaria toda uma seção eleitoral!

Creio que isto é mais um medo pessoal do que uma realidade. Ah, mas só vou ficar totalmente tranqüilo durante uma eleição quando as urnas eletrônicas utilizarem um pen-drive.

Ah, isso sim.


3 Comments:

  • Pois é, já pensei nisso... mas acho que com o tempo as urnas vão sendo trocadas pra outros meio...

    E tem uma especie de back-up: ao final da votação, antes de tirar o disquete, a gente imprime a zerezima que tem todos os votos/justificativas que aquela sessão teve... esse papel é assinado pelos mesarios, e tambem pelos fiscais de partido que passarem pela sala... quer dizer: em casos extremos ainda temos um jeito de ter o resultado...

    Ah, é... eu sou mesária... rs

    beijos

    By Blogger _Maga, at 11:21 PM  

  • Poizé, tá certo. Já fui mesário e havia me esquecido disto. Lembro que um dos momentos mais emocionantes era a impressão da zerézima. E, tá claro, todo mundo assina e assim não tem erro, ao menos na transmissão dos dados para frente.

    Mas será que urna registra os votos a medida que vão acontecendo no disquete? Aí sim o meu receio voltaria.

    Se registra em um disco rígido próprio da urna não teria nenhum problema.

    By Blogger Leandro, at 11:33 PM  

  • Que eu saiba, nao são apenas simples disquetes, e sim, discos ZIP, aqueles disquetes maiores, tanto em tamanho quanto em capacidade. E ja usei esses discos por muito tempo e não costumam dar problemas comos os temerosos disquetes 1,44.

    By Anonymous Leandro, at 9:23 PM  

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