meandros

segunda-feira, outubro 30, 2006

é nisso que dá votar nulo


No post anterior questionei as urnas eletrônicas. Na verdade apenas um detalhe técnico deste instrumento. Mas foi um questionamento de brincadeira, como quem não tem mais o que fazer e fica falando mal de algo que é bom.

Muito diferente do questionamento do governador re-eleito Roberto Requião. Sugerindo uma manipulação dos resultados, o canditado que ganhou por apenas 0,2% dos votos (ou 10.479 votos) mostrou confiar mais nas pesquisas eleitorais do que no resultado apresentado nas urnas! Afinal, as pesquisas de véspera e mesmo a pesquisa de boca-de-urna apresentavam uma vantagem de até 5 pontos percentuais.

Existem algumas razões pela diferença entre a pesquisa e o resultado eleitoral. A primeira delas é que a pesquisa possui uma margem de erro e a margem de erro quer dizer, obviamente, que ela pode estar errada naqueles limites. E todas as pesquisas apontaram empate técnico. Os cinco pontos só significam alguma coisa forçando os dados. Nem mesmo a melhor das metodologias de pesquisa conseguiriam um resultado melhor do que esta eleição foi: um empate técnico.

Outra razão é que a pesquisa é de intenção de voto. "De boas intenções o inferno está cheio", diz o velho deitado, que ilustra o fato de que entre a intenção e a execução (neste caso, a do voto) existe um bom caminho. Em crise de cosnciência política, neste pleito eleitores mudaram seu voto a toda hora. Mesmo a pesquisa de boca-de-urna onde o voto já está consolidado não escapa da chance do entrevistador responder diferentemente do que votou.

E aqui entramos em um detalhe interessante. O assessor de imprensa do TRE, Marden Machado, em entrevista ao Bom Dia Brasil apresentou a seguinte teoria: boa parte da diminuição da vantagem (não tão grande assim) do Requião deve-se à confusão na ordem de votação. Vários eleitores devem ter pretendido votar para presidente no início e depois para governador e acabaram anulando seu voto. Este tipo de anulação de voto pertenceria às pessoas com menor escolaridade que teriam preferência principalmente pelo Requião. O que deu uma ligeira vantagem para o Osmar Dias.

Olhando o percentual de votos nulos isto faz muito sentido. Foram 7,75% para presidente e 6,52% para governador. Índices muito próximos, o que nos faz pensar que os dois votos foram anulados ao mesmo tempo. Como não havia coincidência de partidos entre a eleição de governador e presidente, o voto era nulo em ambos os casos.

Observe como os índices próximos ocorrem também nos outros estados com segundo turno (com excessão apenas do Rio) para governador e presidente:



GO 9,68% - 7,51%
MA 8,75% - 8,54%
PB 7,28% - 6,31%
PE 9,68% - 9,21%
RJ 13,63% - 9,68%
RN 8,86% - 8,43%
SC 7,89% - 6,4%


No entanto índices tão altos de anulação de voto não ocorreram em dois estados cuja disputa pelo governo (assim como para presidente) foi entre PT e PSDB. No Pará a margem de erro foi bem menor: 2,53% para governador e 2,25% para presidente. Idem para o Rio Grande do Sul: 2,48% e 2,25%. Nestes estados podemos imaginar uns 3% de votos que iriam para o PT estadual irem para o federal e vice-versa e vice-versa (com o PSDB).

A percentagem nacional de votos nulos para presidente foi de 4, 71%. No RS e no PA houve voto nulo de menos por erro do eleitor. Nos demais estados houve voto nulo demais também por erro do eleitor.

Até quando eleitor brasileiro quer votar nulo ele erra!

Mas atribuir vitória apertada à manipulação da urna é o mesmo que reclamar à balança do excesso de peso.