meandros

quinta-feira, novembro 30, 2006

lá vem o 13º

quarta-feira, novembro 29, 2006

aí vem o Chaves

O Chaves é o melhor programa infantil de televisão. Em sua quinta década de exibição (isso mesmo, ele começou nos anos 60), se continua fazendo sucesso entre as crianças não é à toa. Quem convive com as crianças de hoje sabe que os bons índices de audiência não se devem apenas ao revival dos anos de infância dos atuais adolescetes e jovens adultos. Deve-se à qualidade do programa.

Repito que o Chaves é bom, tem muita qualidade. Pelas seguintes razões:


  • Retrata com propriedade o cotidiano infantil

O programa é simples, assim como a infância é simples. Os personagens não estão ocupados salvando o mundo ou tendo atitudes espetaculares. Simplesmente estão brincando ou resolvendo pequenos problemas diários, como toda criança costuma fazer. As situações que ocorrem nos episódios poderiam, em sua maioria, ocorrer em qualquer bairro pobre de um país de terceiro mundo.


  • Não é maniqueísta

No Chaves, ninguém é "do bem" ou "do mal". Os personagens são muito humanos, todos com grandes qualidades e grandes defeitos. O Seu Madruga é caloteiro e tem um bom coração; a Dona Florinda é uma mãe zelosa e muito agressiva; o prof. Girafales é atencioso e impaciente e assim vai.


  • É previsível

Criança gosta e precisa de organização, de ordem, de previsibilidade, de rotina, afinal. Chaves dá isso. No início de cada episódio já sabemos o rumo que ele vai tomar e todas as coisas que vão acontecer. A criança antecipa as ações e elas acontecem. A graça está em esperar o que há por vir. Um ótimo exercício cognitivo.


  • É ingênuo
Mesmo que os personagens sejam por vezes maldosos (isto faz parte do item sobre o maniqueísmo), os comportamentos são sempre diretos, puros. Não envolvem duplo sentido e nem baixo calão. O humor está ali escancarado, valorizando os pequenos deslizes de cada personagem e os bordões decorados (isto faz parte do item sobre a previsibilidade).


  • Aborda questões importantes

O Chaves desenvolve temas delicados e complexos como a orfandade e a pobreza com uma naturalidade incrível. Sem soluções prontas e sem ignorar o problema. Note que nenhuma das crianças da vila possuei uma família "padrão": pai, mãe e filhos. Ou mora com o pai (Chiquinha) ou com a mãe (Quico) ou é totalmente órfã (Chaves).


  • É engraçado
As piadas são boas e isto já é o suficiente.


Quando for assitir televisão
(e espero que seja pouca), a criança deve assistir o Chaves.

Foram mais de mil episódios gravados e os fãs sabem todos de cor
(não é difícil). Pena que como vários atores já morreram (como o do Seu Madruga) e como os desentendimentos entre os eles foram freqüentes, não há mais possibilidade de gravarem novas versões...

Mentira! A boa notícia é que estreou a poucos meses no México o desenho animado do Chaves. Isto permitiu ressuscitar o Seu Madruga, embora a Chiquinha se faça ausente devido aos desentendimentos.

Ficou muito bom! O desenho consegue dar o tom moderno da animação atual e manter o Chaves em suas situações clássicas. O SBT já prometeu para o ano que vem a exibição do desenho aqui no Brasil.

Assista um trecho da animação já dublada:






terça-feira, novembro 28, 2006

em time que está perdendo não se mexe


A torcida do Coritiba gritou o ano todo:

- VAMOS SUBIR, COXA!!!

Esse aí subiu em cima do estádio,
mas o Coxa continuou caído.


segunda-feira, novembro 27, 2006

podcast


Depois que os mp3 players ficaram mais acessíveis (por R$115 é possível comprar o modelo que todos tem), começou a aparecer na internet de maneira exponencial os programas de podcast. Nada mais do que programas de rádio que não são feitos no e para o rádio, nem sequer transmitidos por ondas de rádio. São feitos no e para o computador. Ou para os mp3 players.

Para longas viagens de ônibus, para andar de bicicleta ou executar tarefas mecânicas longe de um rádio de verdade, nada melhor do que carregar o aparelhinho com bons programas. Meus preferidos são os seguintes:

Seres Humanos de Negócios
Embora esteja cheio dos abomináveis jargões neo-coorporativos e reflitam um estilo de vida muito diferente da que tento praticar, é um podcast sobre um tema pelo qual tenho muito apreço: psicologia. Algumas entrevistas valem muito a pena.

Lost in Lost
Discute a série Lost com profundidade e bom humor. As discussões que permeiam a série são quase tão boas quanto a própria série e este podcast consegue captar o que anda ocorrendo sobre isto por aí.

SOS Lost podcast
Outro sobre Lost. É mais caseiro do que o podcast acima, mas é justamente aí que está a seu charme. Um casal (com um bonito sotaque nordestino) que mora no Canadá, a Karina e o Vladimir, comenta os novos episódios a cada semana.

Na verdade não é um podcast, mas o site do jornalista José Wille. Nele é possível baixar entrevistas realizadas na CBN Curitiba (algumas ótimas!) e o programa CBN debate. O mais informativo de todos.

Outro programa de rádio disponibilizado para download. Música, poesia da melhor qualidade.


E você, qual recomenda?

domingo, novembro 26, 2006

se bem me lembro, a memória


Saudosa Amnésia

Memória é coisa recente.
Até ontem quem lembrava?
A coisa veio antes,
ou, antes, foi a palavra?
Ao perder a lembrança,
grande coisa não se perde.
Nuvens, são sempre brancas.
O mar? Continua verde.

Paulo Leminski


Esta foi a epígrafe na minha dissertação de mestrado. Sobre a relação entre a memória de trabalho e a resolução de exercícios aritméticos em alunos de 6ª série. Se lhe interessa, você pode conferí-la aqui, assim como outras dissertações e teses de alguns cursos da UFPR de algum tempo para cá.


quinta-feira, novembro 23, 2006

garatuja nomeada


Um rabisco de como quem não quer nada
e até que conseguiu alguma coisa.



terça-feira, novembro 21, 2006

neurodiversidade



Independente de gênero, de credo, de raça, de orientação sexual. Acrescente-se: "E de estilo mental."

É o que propõe os criadores do termo neurodiversidade. Tais criadores são autistas (ou pessoas com Síndrome de Asperger, um quadro muito semelhante ao autismo, porém com maior facilidade na comunicação) e defendem a polêmica idéia de que o Autismo não é uma doença, mas um estilo de vida. E que seu tratamento acaba por descaracterizá-los, destruindo sua personalidade original para que se pareçam mais com os neurotípicos.

Em tom de brincadeira, criaram até o Instituto para o Estudo dos Neurotípicos, que responde exatamente o que é um neurotípico:

A síndrome do Neurotípico (NT) é uma doença neurobiológica genética caracterizada por preocupação com a sociedade, mania de superioridade e obsessão por conformidade.

Neurotípicos acreditam que a experiência que eles tem do mundo é a única correta. Eles têm dificuldade de ficarem sós, muitas vezes são intolerantes compequenas diferenças em outras pessoas.
Em grupos, NT seguem uma rigidez social e frequentemente produzem rituais destrutivos, não saudáveis e até impossíveis para manter a sua identidade. NT´s têm uma dificuldade de falar diretamente e costumam mentir muito mais do que as pessoas de espectro autista. Acredita-se que a NT é de origem genética.

Autópsias demonstraram que o cérebros dos neurotípicos é geralmente menor do que o do indivíduo autista e pode ter as áreas relacionados ao comportamento social hipertrofiadas.


O fato é que, assim como os Surdos a partir de meados do séc. XX organizaram-se e difundiram a idéia de uma Cultura Surda, agora com a proliferação das comunidades pela internet chegou a hora dos Autistas... Leia mais aqui.


segunda-feira, novembro 20, 2006

as grandes questões sempre retornam


quarta-feira, novembro 15, 2006

cinema barato em Curitiba


Na minha infância ir ao cinema era um grande evento. Um grande evento anual, mais precisamente. Sempre nas férias de dezembro e sempre com um filme dos Trapalhões.

Geralmente íamos meus primos e eu, acompanhados da minha mãe. E fazia parte do ritual estourar em casa um pacote de pipoca para cada um, já que o preço da pipoca na frente do cinema era muito alta.

Digo na frente porque na época os cinemas eram de rua. Não havia nada nos shoppings. Aliás, não havia nada no shopping, porque só existia um. Hoje não existem mais cinemas de rua comerciais em Curitiba. Na rua apenas os cinemas da Fundação Cultural.

Comecei ir ao cinema com uma freqüência maior do que a anual apenas quando entrei na faculdade e, com a carteirinha de estudante, pagava apenas R$ 2,00 nos cinemas da Fundação: o cine Luz e o saudoso cine Ritz.

Ah, bons tempos! No mínimo uma vez por semana lá estava eu no escuro. Mesmo nos cinemas dos shoppings, afinal a primeira sessão no começo da tarde e com meia entrada tinha um preço ainda bastante convidativo. Houve uma vez (apenas uma, mas foi suficiente para sempre recordar) em que peguei a página da programação de cinema do jornal e não tinha mais o que escolher. Já tinha visto todos os filmes em cartaz!

A faculdade foi ficando mais difícil, o ingresso do cinema mais caro, a carteirinha de estudante perdeu a validade... Ir ao cinema quase voltou a se tornar um evento anual.

No entanto, felizmente é possível resgatar o bom hábito de freqüentar o cinema sem gastar muito em Curitiba. Nos cinemas da Fundação Cultural (agora a Cinemateca e o Luz) nos domingos tem sessão a R$ 1,00. E no Unibanco Artplex (dentro do shopping Crystal) tem sessão de graça para professores no sábado e durante a semana para professores e não-professores há sessões de um documentário, de um filme latinoamericano e de curta-metragens também de graça.

Curiosamente, todas essas sessões não são tão procuradas como deveriam ser. Acesso há, é preciso usá-lo.

Mas a pipoca contina cara. Aconselho trazer estourada de casa.


terça-feira, novembro 14, 2006

o sétimo selo

Uma grande e feliz surpresa presente nas bancas é a revista piauí. Tem excelentes textos e uma proposta editorial muito diferente de tudo que há no Brasil. Além de também excelentes ilustrações.

No número 1, de outubro, há uma adaptação gráfica do filme "O Sétimo Selo" de Ingmar Bergman (o filme que na vida mais me deu medo, mas medo mesmo, mesmo que provavelmente seu objetivo não seja esse) pelo ilustrador Alessandro Alvim.

O filme é contato em 12 quadrinhos, espalhados ao longo da revista. Deu algum trabalho escaneá-los e montá-los. Mas creio que valeu a pena. Confira.


Clique na imagem para visualisá-la melhor.




segunda-feira, novembro 13, 2006

meandros


Dizem quem em algum lugar,
parece que no Brasil,
existe um homem feliz.


Vladimir Maiakóvski


sexta-feira, novembro 10, 2006

grostoli on Lost, episódio V

Clique na imagem para visualizá-la melhor.


Enquanto não vem episódio novo de Lost, o "Grostoli..." vai continar relembrando as temporadas anteriores.

a mãe do vício


O bom e velho Quino.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Ginástica da Máquina!

Uma das cenas mais non-sense da televisão vem de um programa japonês para crianças da rede NHK conhecido no Brasil como "Viva Pitágoras". Ele está na programação da tarde da TV Cultura e também é responsável por outros incríveis vídeos no melhor estilo da abertura do antigo programa Rá-Tim-Bum.

Segue abaixo a versão original da Ginástica da Máquina em Japonês:


Para quem quiser tentar fazer a Ginástica da Máquina e cantar em português, segue a letra. Bom divertimento!


Dê a volta
estenda os braços
aqui vamos nós
vamos passo a passo
você vira assim e faz como nós
agora do outro lado sem dar nó

estique seus braços
mas com cuidado
e abaixa bem
pra não sair errado
estique seus braços
mas com cuidado
e abaixe bem
pra estar sempre ligado

roda rápido, roda rápido, roda, roda rápido
roda rápido, roda rápido, roda, roda rápido
roda rápido, roda rápido, roda, roda rápido

tapi-tapi, banck-banck, tapi-tapi banck-banck!
tapi-tapi, banck-banck, tapi-tapi banck-banck!

Puxe todo o ar depois é só soltar
ele vai entrar pra depois sair...


terça-feira, novembro 07, 2006

xadrez, tênis, patos e gansos


Nunca vi um argumento tão bom para as pseudociências como neste trecho do livro "Praticamente Inofensiva" do Douglas Adams. Além disto, este pequeno trecho levantou-me altas reflexões sobre as bases epistemológicas da psicoterapia e sobre a política contemporânea.

- Eu sei que astrologia não é uma ciência - disse Gail. - Claro que não é. Não passa de um conjunto de regras arbitrárias como xadrez ou tênis, ou... qual é mesmo o nome daquela coisa esquisita de que vocês ingleses brincam?

- Hummm... críquete? Autodepreciação?


- Democracia parlamentar. As regras meio que surgiram do nada. Não fazem o menor sentido, a não ser quando pensadas no próprio contexto. Mas, quando a gente começa a colocar essas regras em prática, vários processos acabam acontecendo e você começa a descobrir mil coisas sobre as pessoas. Na astrologia, as regras são sobre astros e planetas, mas poderiam ser sobre patos e gansos que daria no mesmo. É apenas uma maneira de pensar sobre um problema que permite que o sentido desse problema comece a emergir. Quanto mais regras, quanto menores, mais arbitrárias, melhor fica. (...)


A propósito, "Praticamente Inofensiva" é o conteúdo do verbete "Planeta Terra" no Guia do Mochileiro das Galáxias.


segunda-feira, novembro 06, 2006

vá ler gibi


Não foram poucas as vezes que ouvi que as histórias em quadrinhos eram sub-literatura, preguiça mental e coisa de criança. São idéias que ainda pairam no senso-comum, mas não deixo de ficar chateado quando profissionais da educação defendem-nas. E não são poucos.

Eu não aprendi a ler lendo gibis. Aprendi a ler lendo Ziraldo. Mesmo o Ziraldo sendo um excelente desenhista, o que me encantou em seus livros foi o texto. Paralelamente aprendi também a ler quadrinhos, mas os gibis não foram um trampolim para os livros (alguns educadores insistem que a trampolinidade é a única qualidade das HQ´s)!

Hoje leio pouco Ziraldo. Outros autores ocuparam seu lugar.

Hoje não leio nada dos gibis de quando comecei, os da Disney. Assim que percebi como eles eram ruins passei para a Turma da Mônica. Depois Marvel, DC, Vertigo, conforme a faixa etária. Hoje leio Will Eisner, Spiegelman, Osamu Tezuka e por aí vai.

Livros e gibis freqüentam minhas mãos e meus olhos sem nenhum conflito e ambas as formas de arte me informam, me divertem e me fazem pensar.

Um fenômeno curioso facilmente observável é o quanto os quadrinhos hoje estão em evidência, principalmente em outas mídias.

Vejamos três exemplos.

  • Sin City. A adaptação live-action desta obra de Frank Miller para o cinema fez todos os fãs de HQ´s ficarem impressionados. Depois de tantas más adaptações (como o Demolidor, por exemplo) a idéia de filmar quadro-a-quadro cada quadrinho trouxe uma experiência única ao cinema. "Ficou igualzinho!", era o que todos os que já tinham lido o gibi exclamavam. Mas passada a impressão primeira, o filme não acrecentou nada para quem já conhecia a obra e nem despertou o desejo da leitura para quem só assistiu ao filme. Afinal era tudo igualzinho.

  • Avenida Dropsie. Esta peça teatral traduz com fidelidade parte da obra de Will Eisner. O cenário, os personagens, os movimentos... Como está no papel está no palco. Ou você lê a graphic novel (como o Will Eisner chamava os quadrinhos, para evitar o depreciativo comics) ou assiste a peça. Fazer as duas coisas é muito repetitivo. Ficou tudo igualzinho.

  • Wood&Stock - Sexo, Orégano e Rock´n´Roll (assista o trailer aqui) - Outro filme que ficou fiel. E fiel demais às tiras do Angeli. Parece um colagem de tiras. E um ritmo lento, lento, lento. Que no gibi funciona, mas que na animação (que tem uma hora e vinte minutos) a faz parecer mais demorada que o Senhor dos Anéis. Na versão extendida. Igualzinho.

Por que esses quadrinhos foram parar no cinema e no teatro se o objetivo deles era ser extramente fiel ao original? Por que não ler Miller, Eisner e Angeli no gibi mesmo?

Ahá! Porque HQ não é preguiça mental! Preguiça mental é sentar confortavelmente na poltrona e ler apenas as legendas (estou exagerando, mas você já entendeu onde quero chegar). É muito mais fácil assistir do que ler.

Nas boas obras, as HQ´s chegam a exigir mais do leitor que um livro de letras pequenas sem figuras. Porque, além do texto escrito, o leitor precisa construir a história a partir de aspectos visuais e não apenas lingüísticos. Dos personagens, do cenário. Entre um quadrinho e outro o leitor precisa preencher a lacuna que ficou: um movimento, um pensamento, um som, uma pequena história. O leitor é que dá o ritmo à narrativa e que imagina toda a trama a partir de poucos indícios que o autor da obra deixou impresso no papel.

Nada mais ativo que um bom gibi.

Coisa de criança? Preguiça mental? Sub-literatura?

Histórias em quadrinhos são a nona arte. Vá ler gibi!

a tempestade

sexta-feira, novembro 03, 2006

grostoli on Lost, episódio IV

Clique na imagem para ampliá-la.

quarta-feira, novembro 01, 2006

finados


Olhos para a chuva

Choveu a noite toda como nunca
E eu fiquei bem feliz. Gosto da chuva,
Intermitente, oblíqua, que tudo junta
E alimenta o alface, o lírio e a uva.

Também os mortos levam uma ducha
E matam a imortal sede, que é muita,
Mesmo no frio da última espelunca.
Ainda bem, toda flor algum dia murcha,

E o que era esplendor, beleza e luz,
Rapidamente some e se soma ao húmus,
Que vai alimentar milhões de bocas.

Agora não são poucas essas gotas,
Que caem como dádivas da vida,
Com toda emoção da missão cumprida!


meandros


O que elas dizem não tem sentido?
Que importa? Escuta-as um momento.
Como quem ouve, entre encantado e distraído,
A voz das águas... o rumor do vento...

Mario Quintana