meandros

quarta-feira, novembro 01, 2006

finados


Olhos para a chuva

Choveu a noite toda como nunca
E eu fiquei bem feliz. Gosto da chuva,
Intermitente, oblíqua, que tudo junta
E alimenta o alface, o lírio e a uva.

Também os mortos levam uma ducha
E matam a imortal sede, que é muita,
Mesmo no frio da última espelunca.
Ainda bem, toda flor algum dia murcha,

E o que era esplendor, beleza e luz,
Rapidamente some e se soma ao húmus,
Que vai alimentar milhões de bocas.

Agora não são poucas essas gotas,
Que caem como dádivas da vida,
Com toda emoção da missão cumprida!


2 Comments:

  • Belissimos!!

    Escolhestes poemas ma-ra-vi-lho-sos tanto do Mario Quintana quanto do Polaco!!!

    Mais delicioso ainda após dormir e amanhecer com uma bela chuva fazendo seus sons deliciosos na janela... Ser acordada por ela é realmente uma dádiva...

    ****

    sobre as eleições fiquei impressionada com um dado no minimo peculiar: na cidade de Londrina tanto o presidente quanto o governador eleito perderam as eleições com menos de 30% dos votos cada... achei um dado no minimo intrigante (vá lá que já li meia duzia de explicações para tal rs)

    beijos e bom feriado

    By Blogger _Maga, at 10:17 AM  

  • muito massa teu blogue, posts interessantes, comentários inteligentes, poesia. voltarei mais vezes.

    By Blogger Sexo, Poesia e Bossas Velhas, at 1:57 AM  

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