meandros

terça-feira, novembro 07, 2006

xadrez, tênis, patos e gansos


Nunca vi um argumento tão bom para as pseudociências como neste trecho do livro "Praticamente Inofensiva" do Douglas Adams. Além disto, este pequeno trecho levantou-me altas reflexões sobre as bases epistemológicas da psicoterapia e sobre a política contemporânea.

- Eu sei que astrologia não é uma ciência - disse Gail. - Claro que não é. Não passa de um conjunto de regras arbitrárias como xadrez ou tênis, ou... qual é mesmo o nome daquela coisa esquisita de que vocês ingleses brincam?

- Hummm... críquete? Autodepreciação?


- Democracia parlamentar. As regras meio que surgiram do nada. Não fazem o menor sentido, a não ser quando pensadas no próprio contexto. Mas, quando a gente começa a colocar essas regras em prática, vários processos acabam acontecendo e você começa a descobrir mil coisas sobre as pessoas. Na astrologia, as regras são sobre astros e planetas, mas poderiam ser sobre patos e gansos que daria no mesmo. É apenas uma maneira de pensar sobre um problema que permite que o sentido desse problema comece a emergir. Quanto mais regras, quanto menores, mais arbitrárias, melhor fica. (...)


A propósito, "Praticamente Inofensiva" é o conteúdo do verbete "Planeta Terra" no Guia do Mochileiro das Galáxias.


1 Comments:

  • se entendi bem, trata-se de dizer que o próprio fato de formular problemas já é um problema muito interessante a ser considerado. É bem por isso acho Fucô interessante...

    By Anonymous catatau, at 10:35 PM  

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