meandros

domingo, dezembro 31, 2006

tudo se transforma

Ilustração de Peter Kuper.


Este blog está se reciclando... Aguarde.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

vinícius


Segue abaixo o Poema de Natal,
que bem poderia ser o Poema de Ano Novo.


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados,
Para chorar e fazer chorar,
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses,
Mãos para colher o que foi dado,
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida;
Uma tarde sempre a esquecer,
Uma estrela a se apagar na treva,
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar,
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço,
Um verso, talvez, de amor,
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E que por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre,
Para a participação da poesia,

Para ver a face da morte -
De repente, nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte apenas
Nascemos, imensamente.


Vinícius de Moraes


quarta-feira, dezembro 27, 2006

a casa dos artistas

Rascunho


Arte final

terça-feira, dezembro 26, 2006

novos meandros

Aguardem grandes novidades para este blog em 2007...



domingo, dezembro 24, 2006

feliz Natal!


Os Evangelhos foram escritos para quem já conhece o final da história. Marcos (o primeiro a aparecer) começa a história com João Batista. João (o último a aparecer entre os canônicos) também. É em Mateus, mas principalmente em Lucas, que a história começa com o nascimento (ou um pouquinho antes) e a infância de Jesus.

Muita gente no Natal reza ao menino Jesus. Tenho minhas dúvidas se Jesus ainda é um menino (embora de repente eu possa me surpreender). Creio que quando os Evangelhos contam a história de Jesus menino eles estão contando mesmo é a história de um Jesus adulto.

Se nasceu em Belém (uma cidade sem importância econômica e política) é porque viveu no interior e na periferia da Galiléia, da Judéia e da Samaria.

Se repousou num coxo (não se iluda com a bonita palavra manjedoura, foi num coxo mesmo) é porque sempre descansou sua cabeça junto com os pobres.

Se manifestou-se primeiro aos pastores (povo discriminado, considerado sujo e desonesto) é porque viveu a vida todos entre os pescadores, os cobradores de impostos, as prostitutas e morreu entre dois ladrões.

Se manifestou-se também os reis magos (parece que eram três, mas quem garante?) é porque sua mensagem espalhou-se pelo mundo todo.

Se os anjos anunciaram seu nascimento (parece que naquela época eles ainda não tinham asas, elas apareceram depois, com o Renascimento) foram os anjos os primeiros a anunciar sua ressurreição.

No presépio o Salvador mostra-se indefeso e parece não incomodar ninguém. Mais tarde incomoda e é assassinado. O começo da história é bem bonito e muita gente fica por aí. Talvez por isso rezem ao menino. Neste Natal, vou tentar rezar ao Jesus adulto. E pedir que o mundo comprometa-se mais com o que ele fez depois que já tinha começado a falar.



sábado, dezembro 23, 2006

o inter é f*da!

Clique na imagem para ampliá-la.


Tira antiga do Radicci, pelo genial Iotti.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

ainda a mobilização


Graças à mobilização popular, da Igreja, dos Movimentos Sociais e com uma dose de ajuda do STF, o Congresso não teve coragem de votar seu próprio aumento nesta gestão.

Abaixo segue a nota de repúdio do Sindicato dos Jornalistas à manifestação de "decoro parlamentar" do deputado federal Max Rosenamnn ao jornalista Heliberton Cescas da Band News, referindo-se aos "jornalistas de merda" durante a manifestação em Curitiba:

Sindijor repudia agressão de deputado a jornalista

Um dia após ter recebido uma resposta acintosa do deputado estadual Hermas Brandão (PSDB), o jornalista Heliberton Cescas, da Rádio Band News, foi agredido pelo deputado federal reeleito Max Rosenmann (PMDB). Em entrevista durante a diplomação dos eleitos na terça-feira, numa pergunta sobre o protesto contra o aumento de 90,7% aos parlamentares, Rosenmann tentou ser irônico e disse que ninguém deveria ganhar mais que R$ 6 mil por mês. Segundo o deputado, quem tivesse renda maior, servidor público ou trabalhador da iniciativa privada, deveria doar o excedente aos pobres. Subitamente, passou a se referir à mãe do jornalista. “Nunca recebi 24 (mil reais). Não sei se tua mãe recebeu”, disse o deputado. E prosseguiu: “o senhor tenha respeito: se a sua mãe não ganha 24, ela que trabalhe muito para ganhar 24”. Por fim, irritado e dando a entrevista por encerrada, Rosenmann insultou os jornalistas com um palavrão que resume suas próp rias declarações. Atitudes de desrespeito aos profissionais da imprensa lamentavelmente estão se tornando uma rotina no Paraná. O Sindijor se solidariza com o jornalista Heliberton Cescas, repudia a atitude agressiva e desrespeitosa do deputado e solicita que todos os jornalistas do Estado relatem ao Sindijor situações semelhantes de afronta aos trabalhadores.

Em 1º de fevereiro de 2007 os deputados voltam a trabalhar. Memória curta de todos, creio que deveriam ser lembrados o quão pornográfico é o aumento.

Repercussão da manifestação em Curitiba aqui. Uma centena de fotos aqui.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

polonês ou polaco?


No bom caldo cultural e étnico brasileiro, os emigrantes da Polônia deram boa parte de contribuição, em especial no estado do Paraná. Dentre as etnias européias que realizaram a colonização, a discriminação foi maior com este grupo de eslavos. Tanto é que uma expressão comum a até pouco tempo era de que "um polaco é um preto do avesso", referindo-se aqui a outro grupo étnico claramente discriminado.

A identidade cultural dos polacos no Brasil foi de tal maneira fragilizada que a própria auto-referência não estava clara. Eram polacos ou poloneses? Polaco virou sinônimo de xingamento e polonês era a forma culta do termo, para quem quisesse se referir a um piá loirinho sem querer ofender. Mas em todas as línguas latinas (com excessão do francês) o cidadão nascido na Polônia e o seu descendente é o polaco, inclusive no português de Portugal.

O jornalista Ulisses Iarochinski, autor do excelente livro "A Saga dos Polacos", esclarece nesse artigo como os cariocas (!) e o embaixador da França (!) determinaram como ficariam conhecidos os filhos da Polônia no Brasil. Confira aqui alguns trechos:

...a origem da utilização da palavra “Polaco”, como termo depreciativo, teria tido início no começo do século XX, na cidade do Rio de Janeiro, quando o proprietário do Cassino da Urca trouxe prostitutas européias para trabalhar em seu estabelecimento de jogos. Como estas mulheres eram em sua maioria loiras como as “Polacas” do Sul do Brasil, a população começou a qualificá-las de “Polacas”. Num momento imediatamente posterior, a população carioca passou a denominar qualquer prostituta, fosse loira, preta, branca, amarela ou índia com o termo “Polaca”.

...o termo “Polaca” deixou de ser usado para designar a nacionalidade de um povo e se transformou em sinônimo de prostituição. A expressão “Polaca” virou palavrão e passou a equivaler ao popular “Filho da Puta”. Os filhos dos primeiros imigrantes “Polacos” cresceram ouvindo ofensas dos brasileiros de outras etnias. À esta expressão “filho de Polaca”, de cunho pejorativo, juntaram-se outras como: “Polaco” burro e “Polaco” sem bandeira (em função da Polônia nesta época estar ocupada por potências estrangeiras).

Com razão, algumas das gerações de filhos de imigrantes “Polacos” rejeitam o termo. A grande maioria, sem domínio preciso do idioma português, acabava por fugir e se esconder sob o manto de outras etnias. Os mais instruídos trataram de abolir completamente qualquer vínculo com suas origens e rechaçar a denominação de descendentes de “Polacos”.

Toda esta discussão e polêmica, toda esta história de preconceito acabou por causar o afrancesamento do termo, muito provavelmente a partir de 1927. Ano em que foi cunhado o termo polonês, derivado do franco “polonais”. Registros orais atestam que a criação do termo “polonês” teria sido obra do então Embaixador da França no Brasil, que teria sugerido ao primeiro Cônsul Geral da Polônia, em Curitiba, o uso da palavra francesa que designa o gentio daquele país, no lugar da péssima conotação do termo português “Polaco”.


Ah, eu não sou polonês. Eu sou polaco!


terça-feira, dezembro 19, 2006

mobilização

Conforme prometido, eu estava lá. Junto estavam estudantes, senhoras, crianças, trabalhadores protestando contra as práticas dos deputados no dia de sua titulação. Notava-se, era um povo que usualmente não participa de manifestações. E a indignação era genuína.

Sob os olhares de ojeriza, sarcasmo ou desdém da maioria dos parlamentares que entravam no Teatro Guaíra, um forte apitaço e uma lembrança de quem é o patrão.

Não estive presente ao final da cerimônia quando alguns deputados trocaram empurrões com manifestantes, ofenderam jornalistas e desqualificaram a manifestação. Mas em certa altura um canditato não eleito, o prof. Gaudino, ofereceu sua entrada a quem quisesse ter acesso. O Macacão, uma figura de terno e gravata com uma máscara simiesca, aceitou o convite e tentou entrar. Outras pessoas foram no embalo. Todos retirados de forma truculenta pelo pescosso pelos seguranças.

No mais, discursos sobre a não-violência, Hino Nacional, idéias para um Brasil melhor e alguns deputados tentando se explicar. E um profundo grito de indignação soltando-se da garganta.

paralisia e mobilização


Desde a madrugada de sexta-feira, todos estão indignados com o pornográfico aumento dos deputados. Como foi bem comentado pelo catatau, a menos que você tenha a intenção de dar uma facada pelas costas e realmente a tenha feito, parece que sua a mobilização não foi muito adiante.

Claro que você já mandou e-mails para os nossos supostos representantes (se ainda não o fez, o link mais fácil para isto está aqui) mas isto provavelmente só serviu para encher a caixa postal deles e criar mais elos nas correntes de spam.

O correio eletrônico pode criar uma falsa noção de que algo foi realizado. No entanto, a internet pode realizar algo sim. Prova disto é que o jornalista Creso Moraes tem mobilizado manifestantes para a diplomação dos deputados paranaenses no Teatro Guaíra hoje às 16h utilizando este site de promessas. A promessa é esta:


Irei à diplomação dos deputados estaduais, no Guairão, para protestar contra o aumento que eles se deram no apagar das luzes, mas só se 25 outros cidadãos também fizerem o mesmo!


Os cidadãos tem aparecido. Eu sou um deles. Com sorte olho no olho de algum deputado. E você, vai ficar só mandando e-mail e passando correntes?




segunda-feira, dezembro 18, 2006

meandros


Se as águas paradas são as mais profundas,
as águas em movimento são as mais rasas?



sexta-feira, dezembro 15, 2006

a verdadeira verdadeira história do Papai-Noel

Ontem, quando uma pequena cidade do interior queria mostrar sua importância construía uma igreja caprichada na praça central. Hoje, constrói um shopping.

Faz tempo que o centro de Curitiba não é a praça Tiradentes, onde fica a Catedral. O verdadeiro centro é a rua XV, local de intenso comércio. Bom, já foi de intenso comércio, já foi o verdadeiro centro. Hoje o centro fica nos grandes shoppings (vide a agonia dos cinemas e livrarias de rua).

Nestes tempos neo-pós-modernos a religião do consumo tem nos shoppings seus templos
(leia aqui sobre isto um interessantíssimo artigo do Frei Betto). Templos bastante freqüentados nesta época do ano, uma época de preparação para uma festa... religiosa.

Chega a parecer estranho, mas a própria Arquidiocese de Curitiba teve que lançar uma campanha cujo principal caráter é o pedagógico ao afirmar que a festa não é pagã: "Natal sem Jesus não é Natal"!



Uma das figuras mais emblemáticas deste bizzarro sincretismo entre o anúncio do Reino de Deus e a sociedade capitalista é o Papai-Noel. Leia só que texto completo que a Pryscila Vieira publicou em seu divertidíssimo blog sobre suas origens:

Existem muitas histórias sobre a origem do Papai Noel. Uma delas diz que o bom velhinho, conhecido como São Nicolau (Bispo de Mira) era turco, nasceu em 270 (século III) e herdou uma polpuda fortuna de seu pai. Muito bonzinho, distribuía moedas de ouro para os pobres no seu aniversário (06 de dezembro). Há um relato de que seu vizinho iria "vender" as três filhas por falta de dinheiro mas São Nicolau pagou antes pelas meninas a tempo de "salvá-las". Se ele ficou com as meninas ninguém sabe, ninguém viu. Por estes e por outros milagres que seu dinheiro e seu poder realizaram, tornou-se o santo mais popular da igreja católica. E o garoto propaganda mais eficaz da história.

Até 1860 a imagem de São Nicolau era representada por um bispo sisudo com roupa marrom. Mas uma imagem religiosa assim definitivamente não venderia carabinas, cigarros, brinquedos, convites para casas noturnas e vodka. A verdade é que cada vez mais a imagem do bom velhinho foi lapidada de acordo com o crescimento das vendas de natal.

Quem criou a primeira imagem do Papai Noel que atualmente conhecemos foi o cartunista Thomas Nast do jornal americano Harper´s Illustleted Weekly. Em 1860, leu os versos do poeta Clement Moore (que definitivamente via gnomos) intitulado "Duas noites antes do natal". Dizia o seguinte: "... A Lua, projetada no seio da neve que caía, Iluminava tudo, cá embaixo. / De repente, do meio dela, ele surgiu. / Vinha no que me pareceu um trenó Puxado por lindas renas. / Seus olhos ? como eles brilhavam! Seu rosto irradiava alegria. / Suas bochechas eram como rosas O nariz igual a uma cereja. / E sua barba, branca como a neve. / Rechonchudo, barrigudo, Tinha jeito de gnomo, Simpático e bonachão. / Quando o vi, a despeito de Minhas mágoas, sorri".

Nast interpretou este texto e adicionou mais um temperinho de fantasia na ilustração. Extraditou São Nicolau da Turquia diretamente para o Pólo Norte, deu-lhe um trenó voador com motor de oito renas e mais alguns duendes para ajudá-lo na confecção dos presentes durante o ano inteiro. A estréia do resultado foi a público em 1866.

Esta não demorou a se solidificar como a melhor representação de São Nicolau, digo, Papai Noel mundo afora. Eis que em 1931 a Coca-cola, de olho no sucesso de Papai Noel, contratou o cartunista Haddon Sundblom para redesenhar um bom velhinho que vendesse muita Coca. Já que naquela época Pablo Escobar ainda não era nascido, Sundblom usou como modelo seu vizinho, comerciante aposentado, Lou Prentice que tinha as bochechas rechonchudas e jeitão de avozinho mão aberta. A roupa vermelha foi criada em alusão as cores da Coca-cola. Quando Lou Prentice morreu, Sundblom passou a usar a própria imagem como inspiração para criar novas ilustrações de Papai Noel para a Coca. Confira abaixo a semelhança entre o criador e a criatura.

O aniversário de São Nicolau que era no dia seis de dezembro, passou a ser comemorado no dia de natal. Este costume foi adquirido principalmente quando os imigrantes holandeses, admiradores do santo, estabeleceram-se na Nova Amsterdã, mais tarde batizada Nova York. Resumindo: Querendo ou não, Papai Noel acabou gerando um desvio de atenção para o que realmente os cristãos comemorariam no dia 25 de dezembro: O nascimento de Jesus. Nesta data tem se comemorado o consumismo desenfreado e as boas vendas. Enquanto isso cristãos lamentam que a data mais importante de seu calendário tenha seu sentido religioso ofuscado por apelos irresistíveis do bom velhinho que nem de longe lembram o Santo. Prova disso é que uma pesquisa efetuada com quase mil crianças com menos de oito anos nos EUA revela que para elas a imagem do natal é a do Papai Noel da Coca-cola. Duas imagens foram colocadas lado a lado. Um desenho de Jesus na manjedoura e outro do Papai Noel na chaminé. Oitenta e nove por cento das crianças atrelaram a imagem do natal a do Papai Noel.

São Nicolau era turco, vestia-se de marrom, comemorava seu aniversário em 6 de dezembro. Acabou no Pólo Norte, com roupa 100%RED100%YELLOW (cor oficial da Coca-cola) e comemorando seu aniversário em 25 de dezembro na companhia de renas e duendes. Mas foi assim que em algumas centenas de anos, pelas mãos de cartunistas aliadas aos cérebros engenhosos dos marketeiros da época, que o santo milionário considerado o padroeiro das crianças, estudantes, escravos, mocinhas solteiras, presos, pobres e ricos, marinheiros e patrono da Rússia (Lênin revira-se no túmulo quando pensa nisso) foi transformado num dos maiores símbolos do consumismo da história. O mais eficaz garoto propaganda de todos os tempos. Bem, não esqueçamos que São Nicolau como todo bom turco, venderia muito bem o que quisesse... Caso não tivesse desabrochado nele o dom da Santidade, claro.


Curioso é que o maior shopping de Curitiba possui uma pequena capela (duvida? clique aqui). Chamada de "espaço ecumênico", seu acesso é bastante discreto, ao lado do banheiro. Nunca vi ninguém neste espaço. Por que será?


quinta-feira, dezembro 14, 2006

a majestade, o sabiá

quarta-feira, dezembro 13, 2006

quando o sol bater na janela do seu quarto


Deus dá a todos uma estrela
Uns fazem da estrela um sol
Outros nem conseguem vê-la

Helena Kolody


Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol.


Pablo Picasso


terça-feira, dezembro 12, 2006

troféu meandros :: os melhores de 2006

Já em tom de retrospectiva, este blog apresenta o melhor da cultura em 2006 na humilde opinião deste que vos escreve. Os critérios são altamente subjetivos (o que me livra da necessidade de explicá-los) e referem-se às obras que tive contato este ano (independentemente dos seus lançamentos terem sido anteriores à 2006).


Melhor Livro


Uma narrativa espetacular sobre a solidão urbana tendo como cenário o centro de Curitiba.

Um clássico que derruba (ou, no mínimo, faz pensar) qualquer supersticioso, seguidor das pseudociências ou religioso fundamentalista. Um elogio a uma boa dose de ceticismo na vida.

Não chega a ser tão bom quanto "O Guia do Mochileiro das Galáxias" ou "O Restaurante do Fim do Universo". Mas está quase lá. O humor ácido do autor rende altas reflexões sobre a Vida, o Univeso e Tudo Mais.


Melhor peça de teatro

Uniu de maneira pra lá de satisfatória Histórias e Quadrinhos e Teatro no texto, na interpretação e nos recursos multimídia. O que não é pouca coisa!

  • Dom Giovanni

Confesso que foi minha primeira ópera. Mesmo com uma montagem simples, a Orquestra Sinfônica do Paraná e o coro mereceram os aplausos de pé. Uma prova de que com criatividade (mesmo sem muitos recursos) se consegue bons resultados.

O melhor do bom humor.


Melhor CD

Assim como a Zelia Duncan acertou ao gravar sambas de raiz no ano passado, Marisa Monte acertou na interpretação de belíssimos sambas neste CD. A prova disto é que a audição dele fica cada vez mais aprimorada, enquando que a audição de Infinito Particular (seu CD de pop) enjoa depois da segunda vez.

A melhor banda de rock do Brasil apresenta faixas cada vez mais introspectivas. A maioria das músicas parece que nem foi concluída. Mas vale.

  • Toca a cura para todo mal. Pato Fu.

Depois de discos um tanto monótonos e de um Ao Vivo, o Pato Fu parece que tornou a ser a grande banda que merece.


Melhor Show

  • Los Hermanos

Creio que já fui a uns seis shows desta banda. E, pensando bem, não fui a mais nenhum outro show este ano. Isto significa que (1) devo ir a mais shows anos que vem, (2) chega de Los Hermanos e (3) não há mais concorrentes nesta categoria.


Melhor Blog

Não foi à toa que o maior parceiro do meandros foi eleito como um dos 10 melhores blogs em língua portuguese pela imprensa alemã. Destaque para a ilustração do topo do blog (quem será o autor? heheheh).

Várias atualizações diárias com textos e charges, muitas charges.


Outro com charges. Hilariante.


Melhor História em Quadrinhos

O ronin e seu filhote na melhor história do Japão feudal de todos os tempos.

  • Maus. Art Spiegelman.

Um clássico que ainda desconhecia. A melhor história do holocausto já contada.

24 volumes de mangá. Em vários sentidos, uma grande história.


Melhor série de TV

Mistérios, bom enredo e personagens cativantes. Precisa mais?

Tive oportunidade de ver as cinco temporadas em um relativo curto espaço de tempo. Nunca vi a morte abordada de forma tão livre de esteriótipos. Destaque para a profundidade dos personagens.

Praticamente um gibi da Mavel filmado. Mas até agora não me empolgou tanto.


Melhor Filme

Infância + Futebol + Ditadura + Judaísmo.

Novamente a Pixar não decepcionou. Não chega a ser tão incrível quanto "Os incríveis" ou um achado como "Procurando Nemo". Mas não é nenhum Velozes e Furiosos para crianças.

Para reviver os velhos tempos.



Parabéns aos vencedores!


segunda-feira, dezembro 11, 2006

meandros


domingo, dezembro 10, 2006

outra velha piada acadêmica


Num dia lindo e ensolarado, o coelho saiu de sua toca com o notebook e pôs-se a trabalhar, bem concentrado. Pouco depois, passou por ali a raposa e viu aquele suculento coelhinho, tão distraído, que chegou a salivar. No entanto, ela ficou intrigada com a atividade do coelho e aproximou-se, curiosa:

R - Coelhinho, o que você está fazendo aí tão concentrado?

C - Estou redigindo a minha tese de doutorado - disse o coelho sem tirar os olhos do trabalho.

R - Humm .. . e qual é o tema da sua tese?

C - Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais de animais como as raposas.

A raposa fica indignada:

R - Ora! Isso é ridículo! Nos é que somos os predadores dos coelhos!

C - Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu mostro a minha prova experimental.

O coelho e a raposa entram na toca. Poucos instantes depois ouvem-se alguns ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e depois silêncio. Em seguida o coelho volta, sozinho, e mais uma vez retoma os trabalhos da sua tese, como se nada tivesse acontecido. Meia hora depois passa um lobo. Ao ver o apetitoso coelhinho tão distraído, agradece mentalmente à cadeia alimentar por estar com o seu jantar garantido. No entanto, o lobo também acha muito curioso um coelho trabalhando naquela concentração toda. O lobo então resolve saber do que se trata aquilo tudo, antes de devorar o coelhinho:

L - Olá, jovem coelhinho. O que o faz trabalhar tão arduamente?

C - Minha tese de doutorado, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos.

O lobo não se contém e cai na gargalhada com a petulância do coelho.

L - Apetitoso coelhinho! Isto é um despropósito. Nós, os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, chega de conversa...

C - Desculpe-me, mas se você quiser eu posso apresentar a minha prova. Você gostaria de me acompanhar à minha toca?

O lobo não consegue acreditar na sua boa sorte. Ambos desaparecem toca adentro. Alguns instantes depois ouvem-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e ... silêncio. Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível, e volta ao trabalho de redação da sua tese, como se nada tivesse acontecido... Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensanguentados e pelancas de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos. Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme LEÃO, satisfeito, bem alimentado e sonolento, a palitar os dentes.


MORAL DA HISTORIA:

  • Não importa quão absurdo é o tema de sua tese.
  • Não importa se você não tem o mínimo fundamento científico.
  • Não importa se os seus experimentos nunca cheguem a provar sua teoria.
  • Não importa nem mesmo se suas idéias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos...

  • O que importa é QUEM É O SEU ORIENTADOR...

sexta-feira, dezembro 08, 2006

uma velha piada acadêmica


Por que Deus nunca chegará a ser professor titular
ou pesquisador do CNPq?


1.Só tem uma publicação;

2. Esta publicação não foi escrita em inglês e sim em hebraico (mesmo que tenha sido traduzida para vários idiomas);

3. A referida publicação não contém referências bibliográficas;

4. Não tem publicações em revistas indexadas, ou com comissão editorial, ou ainda com pareceristas;

5. Há quem duvide que sua publicação tenha sido escrita por ele mesmo. Em um exame rápido, se nota a mão de, pelo menos, 11 colaboradores;

6. Talvez tenha criado o mundo. Mas o que tem feito, ou publicado, desde então?

7. Dedicou pouco tempo ao trabalho (apenas 6 dias seguidos);

8. Poucos colaboradores Seus são conhecidos;

9. A comunidade científica tem muita dificuldade em reproduzir Seus resultados;

10. Seu principal colaborador caiu em desgraça ao desejar iniciar uma linha de pesquisa própria;

11. Nunca pediu autorização aos Comitês de Ética para trabalhar com seres humanos;

12. Quando os Seus resultados não foram satisfatórios, afogou a população;

13. Se alguém não se comporta como havia predito, elimina-o da amostra;

14. Dá poucas aulas e o aluno para ser aprovado tem que ler apenas o Seu livro, caracterizando endogenia de idéias;

15. Segundo parece, Seu filho é que ministra Suas aulas;

16. Atua com nepotismo, fazendo com que tratem Seu Filho como se fora Ele mesmo;

17. Ainda que Seu programa básico de curso tenha apenas dez pontos básicos, a maior parte dos Seus alunos é reprovada;

18. Além das Suas horas de orientação serem pouco freqüentes, apenas atende Seus alunos no cume de uma montanha;

19. Expulsou os Seus dois primeiros orientados por aprenderem muito;

20. Não teve aulas e nem fez mestrado com PHDeuses;

21. Não defendeu teses de Doutorado, Livre Docência

22. Não se submeteu a uma banca de doutores titulares;

23. Não fez proficiência em inglês;

24. De mais a mais não existe comprovação de participação Sua em bancas
examinadoras e de publicação de artigos no exterior...


quinta-feira, dezembro 07, 2006

ó Senhora do Perpétuo, socorrei!


Crespúsculo de ontem no Alto da Glória.
Vê-se a silhueta do Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.


quarta-feira, dezembro 06, 2006

liberdade

Ilustração de Alex Ross

Na entrada da Grande Cidade, havia uma grande estátua de uma mulher com uma tocha na mão.
Baita quis saber:
- Que estátua é essa?
- A estátua da Liberdade.
- Liberdade de quem?
- Liberdade para o Grande Rei fazer o que quiser com qualquer pessoa.

Paulo Leminski em
"Guerra Dentro da Gente"

terça-feira, dezembro 05, 2006

jung, vida e obra em 9 quadrinhos

Esta é para provocar os junguianos de plantão. Até onde sei, a história abaixo tem fundamento.

O desenhista Edward Sorel possui um livro (ainda não lançado em português) chamado "Vidas Literárias". Os quadrinhos foram retirados deste livro e publicados também na revista piauí nº 2, de novembro.

Clique nas imagens para ampliá-las.




segunda-feira, dezembro 04, 2006

piratas do Tietê


Tira do genial Laerte.


domingo, dezembro 03, 2006

a pipoca do Valdir


Toda cidade tem algumas figuras que se destacam e se tornam verdadeiros ícones urbanos. Em Curitiba não é diferente.

Temos o Oil Man, o herói que dispensa apresentações. Temos a voz que grita na rua XV, "...borboleta 13! É o 13! Corre hoje..". Temos os acordes do neo-old-hipponga Plá.

Uma figura que tem se tornado cada vez mais famosa (e merece tornar-se um ícone) é o Valdir. Ex-bóia fria e ex-funcionário de estacionamento, hoje o Valdir tem feito história vendendo pipoca. A mídia e a população de Curitiba tem cada vez mais voltado seus olhares e seus paladares para a Pipoca do Valdir.

Dizer que a pipoca do Valdir é boa é não fazer juz à dimensão do seu empreendimento. O carrinho de pipoca (ou a "Nave do Valdir", como ele gosta de chamar) é na estética e na higiene impecável. Assim como impecável é seu uniforme branco, trocado todos dias (a prova está no dia da semana escrito no bolso). A pipoca está sempre quentinha (o Valdir afirma que é proibido pegar pipoca fria) e vem em uma embalagem bem mais prática. Ganha-se ainda o "Kit Higine" composto por um guardanapo, um palito de dente e uma bala de hortã. Por apenas R$ 1,50. Ah, e a pipoca é muito boa!

Boa parte deste sucesso é devido à orientação de maketing conduzida por um de seus clientes, o Ricardo Coelho. Este sucesso, além de ser destaque na imprensa, levou o pipoqueiro a ministrar diversas palestras em faculdades e instuições importantes pelo Brasil. Esta semana para quem passou por sua nave o Valdir mostrava, ainda, o reconhecimento que recebeu espontaneamente da Câmara dos Veradores de Curitba.

O site do Valdir pode ser conferido aqui. Uma entrevista para a CBN, aqui. Uma entrevista para o SBT Brasil da Ana Paula Padrão, aqui. Agora, a pipoca do Valdir só pode ser conferida lá na praça Tiradentes.


sexta-feira, dezembro 01, 2006

meandros, onde o rio faz a curva



meandro


s. m.,
sinuosidade de um curso de água;
por ext. rodeio, sinuosidade de um caminho;
desvio;
volta;

fig.,
enredo;
intriga.